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Fraudes em Plataformas Encriptadas Como WhatsApp e Telegram Disparam

Relatório da Revolut alerta para o crescimento das fraudes em apps encriptadas, enquanto as plataformas da Meta continuam a ser a principal fonte de burlas

A Revolut publicou o seu mais recente Consumer Security and Financial Crime Report (H2 2024), revelando uma mudança preocupante nas tácticas utilizadas por burlões, com um aumento expressivo das fraudes cometidas através de aplicações de mensagens encriptadas, como o WhatsApp e o Telegram. Apesar desta tendência, as plataformas da MetaFacebook, Instagram e WhatsApp — continuam a ser identificadas como a principal origem dos esquemas reportados à fintech.

Segundo o relatório, 54% das fraudes comunicadas à Revolut tiveram origem em plataformas da Meta, com o Facebook a representar 28% dos casos individualmente. WhatsApp e Telegram registaram aumentos significativos, com crescimentos de 67% e 121%, respectivamente, face ao semestre anterior.

Novas dinâmicas, velhos riscos

O estudo sublinha que a utilização de aplicações encriptadas tem vindo a crescer, impulsionada pela percepção de maior segurança por parte dos utilizadores — percepção essa que, segundo a análise, tem sido explorada por criminosos para enganar as vítimas em comunicações privadas. Combinadas, as fraudes com origem no WhatsApp e no Telegram já correspondem a 39% dos casos analisados pela fintech.

As chamadas “fraudes autorizadas” — em que a vítima é convencida a realizar voluntariamente uma transferência — são consideradas particularmente graves, dado o impacto financeiro médio mais elevado em comparação com as fraudes não autorizadas, como o uso indevido de cartões.

Formas de fraude mais frequentes

As fraudes de compra continuam a ser as mais comuns entre os esquemas autorizados, representando 56% dos casos, com especial incidência em países como a Irlanda e a Hungria. Destacam-se também os casos relacionados com ofertas de emprego (20%) e investimentos fraudulentos (10%), com maior expressão em mercados como França, Itália e Austrália — neste último, a maioria associada ao Telegram.

Já no segmento das fraudes não autorizadas, o uso indevido de cartões lidera, embora o relatório aponte progressos na mitigação destes casos, atribuídos ao uso de cartões virtuais descartáveis e à adopção de mecanismos de autenticação biométrica.

Medidas implementadas e desafios em aberto

A Revolut refere ter evitado mais de £600 milhões em fraudes durante o ano de 2024, com base em medidas tecnológicas e operacionais implementadas na sua plataforma. Entre as acções destacadas estão a utilização de sistemas de detecção em tempo real com base em inteligência artificial, chamadas dentro da aplicação para confirmar transacções suspeitas, autenticação biométrica, definição de limites personalizados e disponibilização de conteúdos educativos para os utilizadores.

Apesar destas medidas, a empresa salienta que o combate às fraudes digitais exige uma resposta coordenada por parte de várias entidades, nomeadamente plataformas digitais e reguladores. O relatório critica o que considera ser a insuficiente resposta das redes sociais, defendendo maior responsabilização das mesmas.

Recomendações apresentadas no relatório

Entre as propostas constantes no relatório, encontram-se recomendações dirigidas a diferentes actores do ecossistema digital e financeiro:

Instituições financeiras:

  • Reforço da cooperação com plataformas digitais para troca de dados em tempo real;
  • Investimento em campanhas educativas dirigidas a diferentes perfis de utilizadores;
  • Implementação de soluções proactivas, como alertas contextuais e autenticação reforçada.

Plataformas digitais (ex. Meta, Telegram):

  • Verificação rigorosa de anunciantes e criadores de conteúdo;
  • Utilização de sistemas de moderação baseados em IA;
  • Colaboração com instituições financeiras e entidades reguladoras.

Reguladores:

  • Definição de normas vinculativas para o combate à fraude nas plataformas digitais;
  • Estabelecimento de mecanismos de responsabilização e compensação;
  • Promoção de programas de literacia digital e financeira.

Embora o relatório tenha origem numa entidade privada, os dados e recomendações apresentados contribuem para o debate público sobre segurança digital e a necessidade de respostas conjuntas e estruturadas no combate à criminalidade financeira online.

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