São Necessários 123 Anos para o Mundo Alcançar a Paridade de Género
Relatório do World Economic Forum destaca progressos em saúde e educação, mas sublinha que persistem disparidades nas áreas económica e política

O Global Gender Gap Report 2025, publicado este mês pelo World Economic Forum (WEF), revela que, até ao momento, foi encerrada 68,8% da lacuna global de género, representando um progresso ligeiro face aos 68,4% registados no ano anterior. Caso se mantenha o ritmo actual, estima-se que sejam necessários 123 anos para alcançar a paridade plena, um ajuste face aos 132 anos calculados em 2024.
A Islândia continua a liderar o índice, com 92,6% da lacuna de género fechada, mantendo-se na primeira posição pelo 16.º ano consecutivo. Os indicadores com menor grau de paridade continuam a ser o Empoderamento Político (22,9%) e a Participação Económica (61,0%).
Na região da África Subsariana, que inclui Angola, a paridade situa-se nos 68,0%, abaixo da média global. Ainda assim, a Namíbia mantém-se entre os dez países mais bem posicionados no ranking global, com uma pontuação de 81,1%.
A nível global, as mulheres representaram 41,2% da força de trabalho em 2024, e apenas 29,5% dos gestores seniores com formação superior são mulheres. O relatório indica que a disparidade entre a qualificação feminina e a sua representação em cargos de liderança continua a ser um dos principais desafios.
O relatório chama a atenção para a existência de um implementation gap, a diferença entre o enquadramento legal existente e a sua implementação prática. Mesmo em países com legislação promotora da igualdade de género, subsistem barreiras que limitam a sua aplicação efectiva.
Adicionalmente, o estudo evidencia uma persistente segmentação por género nos sectores de actividade: áreas como infra-estruturas, tecnologia e defesa continuam a ser maioritariamente masculinas, enquanto os sectores de cuidados e educação são predominantes entre a mão-de-obra feminina.
O relatório apresenta um conjunto de recomendações destinadas a diferentes actores:
- Governos: criação de orçamentos sensíveis ao género, fiscalização efectiva de leis laborais e promoção de mecanismos de representação política equitativa.
- Empresas: adopção de políticas internas de progressão na carreira mais inclusivas, com foco nas áreas STEM, e monitorização de indicadores de paridade no âmbito das métricas ESG.
- Sistema educativo e mercado de trabalho: reforço das ligações entre formação académica e empregabilidade, com atenção a trajetos profissionais interrompidos por motivos familiares.
- Políticas comerciais e de investimento: integração de análises com enfoque de género, sobretudo em sectores exportadores com elevada participação feminina.
Embora o relatório aponte avanços em diversos domínios, sublinha que o ritmo actual de progresso continua aquém das metas internacionais, salientando que a paridade de género é não apenas uma questão de justiça, mas também um factor de resiliência e produtividade económica.
O Global Gender Gap Report 2025 analisa 148 economias mundiais, representando a 19ª edição desta referência internacional para medir e acompanhar o progresso da igualdade de género.




