Cannes Lions Reforça Normas de Integridade Após Uso Indevido de IA
Festival internacional introduz novo quadro de responsabilidade criativa que será aplicado a partir de 2026

O Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions anunciou a introdução de um novo conjunto de normas globais de integridade, a aplicar a partir de 2026, com o objectivo de reforçar a responsabilidade e a transparência no processo de avaliação das campanhas inscritas.
A decisão surge na sequência da retirada do Grande Prémio atribuído à campanha “Efficient Way to Pay”, da agência brasileira DM9 para a marca Consul, distinguida na categoria Creative Data Lions. Após uma análise interna, a organização confirmou que o vídeo de apresentação da campanha recorreu a conteúdos gerados e manipulados por inteligência artificial para simular resultados que, na realidade, não ocorreram.
Com a crescente utilização de ferramentas de IA e de media sintéticos, a direcção dos Cannes Lions decidiu rever os seus critérios de elegibilidade e avaliação. “O panorama da indústria está a mudar a uma velocidade vertiginosa”, afirmou Simon Cook, CEO dos Cannes Lions. “E, tal como o resto do sector, o festival está a adaptar-se para acompanhar esta evolução.”
O novo quadro, segundo a organização, pretende assegurar que a criatividade apresentada no festival é real, representativa e responsável, promovendo um ambiente de confiança e rigor. As medidas incluem novas exigências no processo de submissão de campanhas, com foco na autenticidade e verificabilidade dos resultados apresentados.
Durante a edição de 2025, as preocupações em torno da manipulação de conteúdos motivaram a exclusão de trabalhos que não cumpriam os critérios de integridade, reforçando a necessidade de um modelo actualizado de responsabilização criativa.
A organização recorda ainda que, ao longo das últimas décadas, os Cannes Lions têm procurado evidenciar a relação entre criatividade e resultados de negócio. Este ano, uma análise da consultora Interbrand aos 50 principais trabalhos premiados indicou que as marcas vencedoras registam, em média, um aumento de 2,7% na rentabilidade e de 4,7% na valorização em bolsa no ano seguinte.
“A criatividade deve ser sinónimo de integridade”, sublinhou Simon Cook. “Estas novas normas reflectem o nosso compromisso em preservar o valor da criatividade como força cultural e económica.”




