Tecnologia

Investimento em IA Cresce Mas Adopção da IA Agêntica Fica Para Trás

Estudo da EY revela que o investimento empresarial em Inteligência Artificial continua a crescer, mas a compreensão e a adopção da chamada agentic AI permanecem limitadas

Apesar do entusiasmo crescente em torno da Inteligência Artificial (IA), a sua aplicação prática nas organizações continua aquém das expectativas. Esta é uma das principais conclusões da terceira edição do EY US AI Pulse Survey, que identifica uma discrepância entre os investimentos significativos e a implementação efectiva de soluções mais avançadas, como a agentic AI – sistemas de IA concebidos para operar de forma autónoma com base em objectivos definidos.

O inquérito, realizado junto de 500 decisores seniores nos Estados Unidos, revela que 97% das organizações que investem em IA registam retorno positivo, sobretudo em áreas como actualização tecnológica, satisfação do cliente e cibersegurança. Contudo, apenas 14% afirmam ter implementado integralmente soluções de agentic AI nas suas operações.

O investimento, ainda assim, não dá sinais de abrandamento. Cerca de 21% dos inquiridos indicam que as suas organizações já aplicaram mais de 10 milhões de dólares em iniciativas de IA, uma subida face aos 16% registados no ano anterior, e 35% preveem atingir esse montante no próximo ano.

Embora a agentic AI esteja a ser utilizada para melhorar áreas como o apoio ao cliente, a eficiência dos sistemas de TI e a segurança digital, a sua adopção em larga escala enfrenta diversos entraves. Entre os principais obstáculos apontados estão preocupações com cibersegurança (35%), privacidade de dados (30%), ausência de regulamentação específica (21%) e falta de políticas internas (21%).

A investigação revela também um certo desconhecimento dentro das próprias organizações: 57% dos líderes consideram que os decisores do seu sector não compreendem os benefícios da agentic AI, e 54% acreditam que essa lacuna se verifica também nas suas empresas.

Mesmo com estas reservas, 73% dos líderes inquiridos acreditam que, no futuro, unidades de negócio inteiras poderão ser geridas por IA autónoma. No entanto, quase todos (89%) defendem que a supervisão humana continuará a ser essencial, numa perspectiva que reforça a necessidade de equilíbrio entre tecnologia e intervenção humana.

Face a este cenário, a formação torna-se uma prioridade. A maioria dos líderes (64%) afirma que a sua organização deverá investir mais na capacitação dos colaboradores para a utilização responsável da IA, uma subida considerável face aos 49% registados no ano anterior.

O estudo aponta ainda para uma mudança estratégica: há uma tendência crescente para desenvolver soluções de IA internamente (64%, contra 56% no ano anterior), em detrimento da aquisição de empresas com competências nesta área (45%, face aos 51% anteriores). Esta viragem poderá reflectir a intenção de consolidar capacidades internas e evitar soluções padronizadas.

Segundo os responsáveis da EY, o sucesso da integração da IA dependerá da capacidade das organizações em preparar as suas equipas, implementar mecanismos de governação responsável e alinhar a tecnologia com resultados concretos de negócio.

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