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Profissionais de Marketing Sentem Pressão Crescente por Resultados Rápidos e Recorrem à IA para Acelerar Crescimento

Inquérito a 309 profissionais norte-americanos e canadianos analisa papel da inteligência artificial no marketing actual

Segundo um inquérito recente, 89% dos profissionais de marketing afirmam sentir significativamente mais pressão para alcançar melhores resultados em menos tempo, comparado com há dois anos. O “2025 AI and Marketing Performance Index“, realizado pela GrowthLoop e Ascend2 Research, inquiriu 309 profissionais de gestão sénior em empresas com facturação superior a 100 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá, analisando o papel actual da inteligência artificial no sector.

Os dados recolhidos mostram que 90% dos marketers inquiridos acreditam que a tecnologia pode acelerar o crescimento do marketing, com 74% a esperarem ganhos de performance superiores a 10% e 35% a projectarem aumentos acima dos 30%. Adicionalmente, 67% dos respondentes veem a IA como catalisador de crescimento capaz de criar novas capacidades, indo além da simples eficiência operacional.

Segundo o relatório, as empresas classificadas pelos investigadores como de alto crescimento reportam uma utilização mais intensiva da tecnologia: 48% usam IA para prever comportamentos de clientes (contra 37% das restantes) e 37% automatizam a segmentação de audiências (versus 25%).

De acordo com o inquérito, empresas classificadas como de alto crescimento reportam maior agilidade nos seus ciclos de marketing: 70% afirmam conseguir lançar campanhas em menos de 30 dias, comparado com 45% das restantes organizações. O estudo indica que 54% das equipas de alto crescimento reportam ciclos “fairly fast” ou “extremely fast”.

No entanto, dois terços (66%) dos marketers inquiridos descrevem o seu ciclo de marketing como sub-óptimo, com apenas 10% a reportarem operar com eficiência máxima. Os principais entraves mencionados incluem atrasos em aprovações e decisões (40%), recursos e orçamentos limitados (38%), e processos manuais com dependência de outras equipas (29%).

O inquérito identifica a análise de dados e obtenção de insights como desafio operacional para 53% dos profissionais inquiridos. Seguem-se o desenvolvimento de campanhas (47%) e a personalização em escala (44%). É também na análise de dados que se regista maior utilização de IA: 66% dos marketers inquiridos afirmam já utilizar inteligência artificial nesta área.

As aplicações actuais mais comuns da IA no marketing incluem a previsão de comportamento do cliente (39%), geração de conteúdos (38%), personalização em escala (36%) e optimização de campanhas (31%). Ainda assim, 15% das organizações inquiridas não utilizam activamente IA no marketing, sugerindo espaço significativo para adopção.

Os dados recolhidos indicam que 86% dos marketers inquiridos defendem que a intervenção humana melhora a eficácia da IA. O modelo preferido pelos respondentes é: IA toma decisões de baixo risco com validação humana (46%) ou fornece apenas insights, com humanos a manterem controlo das decisões (31%). Apenas 4% apoiam controlo total da IA sobre a execução de marketing, e menos de 15% permitem que a tecnologia actue autonomamente em tarefas como segmentação ou geração de conteúdo.

Segundo o relatório, 85% dos profissionais querem algum nível de supervisão quando a IA ajusta audiências e optimiza campanhas.

Os dados mostram que 71% das organizações inquiridas estão a investir em formação das equipas actuais, enquanto 44% consideram prioritária a contratação de novos talentos com competências em IA. As áreas de expertise mais mencionadas incluem a capacidade de transformar dados em insights e previsões em tempo real (50%), melhorar ROI e eficiência orçamental (38%), e acelerar execução e automatização de campanhas (37%).

Apenas 4% dos inquiridos acreditam que a IA substituirá equipas inteiras. A maioria dos respondentes (47%) considera que a tecnologia aumentará a eficiência e criatividade humana, enquanto 36% preveem que automatizará tarefas mantendo humanos em papéis estratégicos.

Os principais obstáculos mencionados pelos inquiridos incluem preocupações com segurança de dados (45%), dificuldade de integração com sistemas existentes (37%), custos elevados de implementação (33%) e falta de expertise interna (32%).

O inquérito detectou diferenças de percepção entre níveis hierárquicos. Enquanto 51% dos executivos reportam ciclos de marketing rápidos, apenas 28% dos não-executivos partilham essa percepção. Esta divergência estende-se à avaliação da eficácia estratégica: 51% dos executivos consideram a estratégia muito eficaz, contra 13% dos profissionais não-executivos.

A análise por indústria revela disparidades significativas. O sector do retalho e e-commerce apresenta os ciclos mais rápidos, com 70% a lançarem campanhas em menos de 30 dias e 13% em menos de uma semana. Em contraste, os sectores de media e hospitalidade são os mais lentos, com 52% a reportarem ciclos superiores a 30 dias.

Cada sector também valoriza diferentes aplicações da IA: enquanto os serviços financeiros focam-se no desenvolvimento de campanhas (65%), o sector de media e entretenimento prioriza a personalização em escala (52%), e a tecnologia concentra-se em A/B testing e optimização.

O inquérito aponta que entre 61% a 68% das organizações poderão estar a usar IA nas principais áreas de marketing nos próximos 12 meses. As principais áreas de impacto mencionadas incluem o aumento do crescimento de receitas (25%), geração de mais conversões (22%) e melhoria do ROI do orçamento de marketing (20%).

Os autores do estudo concluem que as organizações que não implementarem IA poderão ficar em desvantagem competitiva, considerando o nível de investimento reportado pelos inquiridos. Os dados sugerem que o equilíbrio entre automação e supervisão humana, velocidade e segurança, será determinante na implementação bem-sucedida destas tecnologias.

O “2025 AI and Marketing Performance Index” foi realizado em Abril de 2025 através de inquérito online a 309 profissionais de gestão sénior de marketing em empresas com facturação superior a 100 milhões de dólares. A amostra incluiu respondentes dos Estados Unidos (65%) e Canadá (35%), representando sectores como tecnologia (17%), finanças e serviços profissionais (18%), retalho e e-commerce (16%), indústria (13%), media e hospitalidade (7%), entre outros. O estudo foi conduzido pela GrowthLoop em parceria com a Ascend2 Research.

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