Geração Z Poderá Tornar-se a Principal Força de Consumo até 2030
Relatório global aponta que esta geração está em vias de ultrapassar os Baby Boomers em poder de compra

A Geração Z, formada por cerca de 2 mil milhões de pessoas em todo o mundo, o equivalente a um quarto da população global, poderá tornar-se a força dominante no consumo mundial ao longo da próxima década. A conclusão é do relatório “Spend Z: A Global Report”, desenvolvido pela NielsenIQ (NIQ), GfK e World Data Lab (WDL), que estima que, até 2030, esta geração represente quase 19% do gasto global, equivalente a 12,6 biliões de dólares.
De acordo com o estudo, esta é não só a maior geração da história, mas também a que apresenta maior potencial de rendimento. Um Gen Z americano de 25 anos já regista um rendimento médio superior ao dos Millennials e 50% acima dos Baby Boomers à mesma idade. O consumo global da Geração Z deverá ultrapassar o dos Boomers já em 2029.
Os Gen Z são os primeiros nativos digitais, tendo crescido com acesso imediato à informação e com hábitos de consumo profundamente influenciados pela tecnologia. Representam também a geração mais diversa, tanto em termos raciais e culturais como de identidade de género e orientação sexual.
Outro dado relevante é que apenas 10% desta geração vive na América do Norte e Europa. Menos de metade do seu consumo tem origem no Ocidente, o que faz da Gen Z a primeira geração com maior peso fora das regiões ocidentais, com impacto crescente em África Subsariana, Médio Oriente e Ásia-Pacífico.
A autenticidade surge como o principal valor desta geração, que define “ser verdadeiro consigo próprio” como sinónimo de sucesso. Apesar da ligação declarada a causas ambientais e sociais, verifica-se um desfasamento entre intenção e prática: muitos afirmam rejeitar produtos de países poluentes, mas continuam a consumir fast fashion e gadgets.
Do ponto de vista económico, a Gen Z apresenta preocupações significativas: quatro dos cinco principais receios em 2023 foram de natureza económica. Na decisão de compra, preço e qualidade pesam mais do que ideais ambientais ou sociais.
Actualmente, os Gen Z percorrem jornadas de compra híbridas: iniciam online, valorizam avaliações em redes sociais e já mais de metade utilizou botões de compra integrados nestas plataformas. Contudo, as lojas físicas continuam essenciais, representando ainda 50% do gasto.
As categorias mais fortes incluem electrónica, beleza e saúde & fitness, sendo esta última impulsionada pela utilização de apps de treino e dispositivos wearables.
No médio prazo, até 2030, prevê-se que atinjam 1,6 mil milhões de consumidores activos, com grande impacto em sectores como educação, saúde, bem-estar, viagens e bebidas alcoólicas. No longo prazo, aos 50 anos, espera-se que o gasto per capita da Gen Z seja superior ao de todas as gerações anteriores.
O relatório destaca cinco áreas críticas a considerar por empresas e profissionais de marketing:
- Marcas próprias – 67% consideram private labels equivalentes a marcas nacionais, tendência que poderá crescer até 30% nos EUA até 2034.
- Influência no agregado familiar – os Gen Z influenciam escolhas de compras domésticas, especialmente em saúde, beleza e alimentação.
- Exploração de marcas – demonstram maior abertura à experimentação e valorizam novidade e diversão.
- Canais de marketing – preferem apps e redes sociais a e-mails ou SMS, embora a eficácia varie por categoria.
- Fidelização – autenticidade, personalização e experiências digitais imersivas (IA, AR/VR, social shopping) surgem como factores determinantes.
O relatório baseia-se numa colaboração entre a NielsenIQ a GfK e a World Data Lab, cobrindo 180 países e mais de 6.000 cidades.




