Consumidores Querem Inovação Tecnológica Que Possam Confiar, Revela Estudo da Deloitte
Inquérito a consumidores americanos revela aumento da adopção de ferramentas de inteligência artificial mas também das preocupações sobre segurança de dados

A inteligência artificial generativa está a ganhar terreno junto dos consumidores americanos, mas a rapidez da inovação tecnológica está a gerar preocupações crescentes sobre privacidade e segurança. É o que revela o estudo “Connected Consumer 2025” da consultora Deloitte, que inquiriu 3.524 consumidores nos Estados Unidos no segundo trimestre deste ano, na sexta edição anual desta análise ao mercado norte-americano.
Segundo a análise da consultora, os dados indicam que os consumidores querem inovação, mas também exigem transparência, controlo e segurança dos seus dados. O estudo sugere que empresas tecnológicas que priorizarem práticas responsáveis podem estar melhor posicionadas para conquistar a confiança dos utilizadores.
Os dados da Deloitte apontam para um salto significativo na adopção da IA generativa no mercado americano. Actualmente, 53% dos consumidores inquiridos estão a experimentar ou a utilizar regularmente ferramentas de IA generativa, uma subida face aos 38% registados em 2024. Os utilizadores regulares de IA generativa quase duplicaram num ano, passando de 11% para 20%.
Metade dos utilizadores de IA generativa (51%) afirma usá-la diariamente, e 38% pelo menos uma vez por semana, o que sugere que a tecnologia está a integrar-se nas actividades digitais de rotina. Além disso, 42% dos utilizadores regulares consideram que a IA generativa tem um efeito “muito positivo” nas suas vidas, superando as percepções sobre dispositivos (36%) e aplicações (29%).
A maioria dos utilizadores acede à IA generativa através de aplicações autónomas nos telemóveis (65%) ou através de websites específicos (60%). Contudo, 69% também reportam usar capacidades de IA generativa incorporadas em software familiar, como motores de busca, redes sociais e aplicações de produtividade.
O uso pessoal continua a ser a principal aplicação da IA generativa, citado por 85% dos utilizadores. No entanto, o uso profissional está a crescer rapidamente, tendo passado de 6% em 2023 para 34% em 2025 entre os trabalhadores inquiridos.
Os principais casos de uso incluem escrita e edição, investigação, resumo de informação, explicação de conceitos e tomada de notas. Entre os que utilizam IA generativa no trabalho, 55% afirmam que as suas organizações incentivam o uso, e 40% recebem formação das empresas.
Um dado preocupante para as empresas: 69% dos trabalhadores admitem usar ferramentas próprias de IA (instaladas em dispositivos pessoais ou acedidas através de contas pessoais), mesmo quando 57% também usam ferramentas fornecidas pela empresa. Esta tendência de “IA sombra” reflecte uma procura não satisfeita, mas abre lacunas em governação, segurança e integração.
Apesar da rápida adopção, a IA generativa ainda levanta preocupações. A consciencialização sobre potenciais perigos cresceu: 82% dos utilizadores e experimentadores inquiridos consideram que a tecnologia pode ser mal utilizada (face a 74% no ano anterior), e 74% temem que possa corroer competências de pensamento crítico.
Um terço dos utilizadores afirma ter encontrado informação incorrecta ou enganadora ao usar IA generativa, e 24% reportam ter tido problemas de privacidade de dados. Como resposta, 53% dos utilizadores dizem verificar sempre ou quase sempre os resultados da IA generativa de forma independente.
O cepticismo persiste: 74% dos que estão familiarizados ou a experimentar com IA generativa, e mesmo 62% dos utilizadores regulares, afirmam que a crescente popularidade da tecnologia torna mais difícil confiar no que vêem online.
As preocupações dos consumidores vão além da IA generativa. Em apenas um ano, a percentagem de inquiridos preocupados com privacidade e segurança de dados saltou de 60% para 70%. Quase metade (47%) dos consumidores reporta ter sofrido pelo menos um tipo de falha de segurança digital no último ano, e 58% encontraram pelo menos uma tentativa de burla.
O estudo revela ainda uma lacuna de confiança crescente: apenas 20% dos inquiridos consideram que os fornecedores tech são “muito claros” sobre que dados recolhem ou como os utilizam, e só 20% afirmam ser “muito fácil” controlar que dados são recolhidos. Apenas 27% têm confiança “alta” ou “muito alta” de que os fornecedores mantêm os seus dados seguros.
Setenta e sete por cento dos inquiridos sentem que as empresas tecnológicas estão mais focadas em ultrapassar a concorrência do que em resolver problemas reais dos utilizadores, e 69% acreditam que a inovação está a acontecer demasiado depressa, sem atenção suficiente à mitigação de riscos.
A consultora conclui que a tecnologia inteligente, personalizada e inovadora continuará a gerar interesse, mas defende que a maior oportunidade pode estar em fornecê-la de forma responsável, com fornecedores que correspondam às expectativas em torno de transparência e segurança.
O estudo baseia-se em dados auto-reportados por consumidores americanos e reflecte percepções e comportamentos específicos daquele mercado, podendo não ser directamente aplicável a outras geografias, incluindo Angola e os mercados lusófonos.
O inquérito “Connected Consumer 2025” foi conduzido pela Deloitte Center for Technology, Media and Telecommunications no segundo trimestre de 2025, junto de 3.524 consumidores americanos, com dados ponderados segundo o mais recente censo dos EUA. Esta é a sexta edição anual do estudo.




