MARKETING

Marketing Humanizado é o Caminho para Conectar com o Público

Congresso Nacional de Marketing e Publicidade apresenta reflexões sobre o futuro da comunicação autêntica

O Congresso Nacional de Marketing e Publicidade (CNMP 2025) realizou-se ontem, no Auditório da ENAPP, em Luanda, reunindo profissionais e especialistas do sector sob o tema “Os novos caminhos do Marketing e a Publicidade”. Entre as intervenções marcantes do evento, destaca-se a apresentação de Paula Quintas sobre o conceito de Marketing Humanizado, uma abordagem que questiona os paradigmas actuais e coloca a empatia e a autenticidade no centro da estratégia comunicacional.

Paula Quintas, na sua intervenção, colocou uma questão provocadora: valorizamos realmente aquilo que somos? A comunicadora sublinhou que tendemos a comparar-nos com os outros, perdendo de vista a nossa própria beleza e singularidade. Para ilustrar este ponto, referiu uma experiência reveladora da Dove, em que pessoas foram convidadas a descrever-se e, posteriormente, outras foram chamadas para as descreverem. Quando confrontadas com os retratos criados a partir destas descrições alheias, muitas ficaram comovidas, percebendo que os outros as viam de forma muito mais positiva e benevolente do que elas próprias se viam a si mesmas.

“Isso é humanização”, afirmou Paula Quintas. “É comunicar com empatia, reconhecer o valor de cada pessoa e falar para quem merece ser ouvido.”

A oradora apresentou dois exemplos paradigmáticos de marketing humanizado: a Dove e o Spotify.

Referindo-se ainda à Dove, afirmou que a marca se tornou mundialmente conhecida por mostrar mulheres e homens reais nas suas campanhas, com corpos, idades e feições diversas. Esta abordagem rompe com os padrões estéticos tradicionais e comunica uma mensagem clara: a beleza existe em múltiplas formas. “Essa é a essência do marketing humanizado”, explicou Paula Quintas: “ouvir o público, compreender as suas dúvidas e inseguranças, e depois responder com empatia e autenticidade.”

O Spotify, com mais de 600 milhões de utilizadores a nível mundial, oferece outro modelo interessante. No final de cada ano, a plataforma envia uma mensagem personalizada a cada utilizador, o famoso “Spotify Wrapped”. Este conteúdo é elaborado através de inteligência artificial que analisa padrões de comportamento e até estados de espírito. Quando um utilizador está triste, o algoritmo “percebe” isso e cria playlists personalizadas para melhorar o seu humor. “Pode parecer estranho”, afirmou a oradora, “mas é mais uma prova de que a tecnologia pode ajudar a criar conexões mais humanas, se for usada com sensibilidade.”

Um ponto fulcral da intervenção foi a seguinte mensagem: não podemos automatizar as relações humanas. Enquanto os processos podem e devem ser automatizados, as relações exigem humanidade genuína. O segredo, segundo Paula Quintas, está em criar conteúdos com alma, ouvir quem está do outro lado, compreender o que sente e falar com autenticidade.

“As pessoas gostam de saber que há um ser humano do outro lado da comunicação”, sublinhou. “A vulnerabilidade e a sensibilidade são forças, não fraquezas.”

Paula Quintas salientou ainda a importância da personalização. Cada pessoa gosta de ser tratada de forma diferente. Alguns preferem uma linguagem informal e próxima, enquanto outros valorizam um tom mais formal. Contudo, há algo que une todas as pessoas: o desejo de sentir-se únicas, de acreditar que a mensagem foi elaborada especialmente para elas.

A transparência e humildade também foram identificadas como pilares do marketing humanizado. Quando algo corre mal, as marcas devem admitir o erro, mostrar os bastidores e revelar quem realmente são. Humanizar, na opinião da oradora, significa também dar visibilidade a toda a equipa, não apenas aos diretores ou presidentes, mas a cada membro que contribui para o sucesso.

Embora a tecnologia continue a evoluir, tal como passámos das cartas aos navios, depois aos e-mails e agora ao WhatsApp, existe algo que nunca pode ser substituído: a humanidade nas relações. Paula Quintas encerrou a sua apresentação com uma citação de Maya Angelou que resume perfeitamente a sua mensagem: “As pessoas podem esquecer o que disseste ou o que fizeste, mas nunca se esquecerão de como as fizeste sentir.”

“E é aí que está a verdadeira essência do marketing humanizado”, concluiu: “tratar as pessoas com carinho e sinceridade, falar com o coração e garantir que a nossa marca deixa uma marca (emocional) nas suas vidas.”

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