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Crescimento Volta à Agenda dos CEOs em 2026

BCG analisa as razões que levam o crescimento a regressar à agenda dos CEOs, num contexto de maior incerteza económica e pressão estratégica

Após vários anos marcados por estratégias defensivas — controlo de custos, reforço da resiliência e mitigação de risco — o crescimento regressa à agenda dos principais líderes empresariais em 2026. Esta é a principal conclusão do artigo The CEO’s Guide to Growth in 2026, publicado pela Boston Consulting Group, que analisa a evolução das prioridades estratégicas das grandes organizações.

Segundo o estudo, este regresso ao crescimento ocorre num contexto mais volátil e exigente, em que a expansão depende menos de condições favoráveis e mais de disciplina, método e capacidade de adaptação.

Crescer num ambiente de incerteza estrutural

A análise aponta para uma mudança clara de discurso: as referências ao crescimento nas earnings calls aumentaram 12% a nível global e 24% na Europa. Este movimento acontece num cenário marcado por tensões geopolíticas persistentes, abrandamento económico e maior restrição ao capital.

O artigo sublinha que algumas organizações têm procurado avançar com estratégias de crescimento mesmo em contextos adversos, assumindo a incerteza como um dado estrutural do mercado e não como uma excepção temporária.

Ambição estratégica requer estrutura

Outro ponto central do artigo é a importância de combinar ambição com planeamento. A definição de metas ambiciosas surge associada a melhores resultados, desde que suportada por modelos claros de crescimento.

A BCG destaca a necessidade de explicitar a origem do crescimento, orgânico ou inorgânico, os pressupostos subjacentes e o impacto de diferentes cenários macroeconómicos. Sem este enquadramento, a ambição pode traduzir-se em dispersão de esforços.

Inteligência artificial como factor de aceleração

A inteligência artificial surge como um dos principais temas do estudo. De acordo com os dados apresentados, as empresas que integraram a IA de forma mais avançada apresentam taxas de crescimento de receitas superiores e maior produção de patentes.

O artigo associa a tecnologia à redução do custo da inovação, à aceleração do desenvolvimento de produtos e à melhoria da precisão em áreas como segmentação, go-to-market e pricing, posicionando a IA como um dos factores de competitividade emergentes.

Crescimento como processo estruturado

O estudo também questiona a ideia de crescimento espontâneo. Segundo a análise, as empresas com melhor desempenho tendem a gerir o crescimento através de programas formais, com projectos definidos, metas claras, indicadores de desempenho e mecanismos de monitorização contínua.

Esta abordagem aproxima a gestão do crescimento das práticas aplicadas ao controlo de custos ou à gestão de capital, reforçando o seu carácter operacional.

Comunicação com investidores ganha relevância

Um dos pontos destacados é a importância da comunicação estratégica com investidores. O artigo indica que organizações que clarificam cedo o racional das suas transformações estratégicas tendem a reduzir a pressão de curto prazo e a criar maior margem para decisões estruturais.

Neste contexto, a narrativa externa surge como um elemento complementar à execução interna da estratégia.

M&A como competência contínua

No domínio das fusões e aquisições, o estudo identifica uma retoma gradual da actividade, apoiada por elevados níveis de capital disponível no private equity. Em vez de abordagens oportunistas, o artigo aponta para uma tendência de desenvolvimento de capacidades internas permanentes de M&A, incluindo integração pós-aquisição.

Crescimento e disciplina financeira

O artigo termina com um alerta recorrente: o crescimento sem controlo de custos pode comprometer a criação de valor. A eficiência financeira surge como base para financiar investimento e inovação, incluindo em tecnologias como a IA.

Segundo a análise, organizações que articulam crescimento com disciplina financeira tendem a criar ciclos mais sustentáveis de investimento e retorno.

Em síntese

  • O crescimento regressa às prioridades estratégicas em 2026
  • A incerteza passa a fazer parte do enquadramento estrutural
  • Ambição estratégica exige modelos claros e testados
  • A IA ganha peso como factor de diferenciação
  • Crescimento tende a ser tratado como processo formal
  • Disciplina financeira mantém-se crítica para a sustentabilidade
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