Google Aposta na Inteligência Artificial Para Transformar Publicidade e Comércio Online
Empresa apresenta estratégia centrada em AI Mode, comércio agêntico e ferramentas Gemini para anunciantes, com testes em curso no mercado norte-americano

A Google revelou a sua estratégia para 2026 no sector da publicidade digital e comércio electrónico, apostando fortemente em inteligência artificial para alterar a forma como consumidores pesquisam e compram online. A visão foi apresentada por Vidhya Srinivasan, Vice-Presidente e Directora-Geral de Publicidade e Comércio da empresa, numa carta anual publicada no blog oficial da Google Ads.
IA na pesquisa e novos formatos publicitários
A principal novidade centra-se no AI Mode, a experiência de pesquisa alimentada por inteligência artificial que a Google está a desenvolver. Segundo a empresa, este modo já apresenta recomendações orgânicas de produtos e a tecnológica está agora a testar novos formatos publicitários específicos para esta interface.
Os novos anúncios, claramente identificados como patrocinados, aparecem após os resultados orgânicos e mostram retalhistas que vendem os produtos recomendados. A Google afirma estar a testar formatos semelhantes noutras categorias além do retalho, como viagens.
A empresa introduziu também as chamadas Direct Offers, que permitem às marcas apresentar ofertas personalizadas a utilizadores que demonstram intenção de compra. Estas ofertas vão ser expandidas para incluir não apenas descontos de preço, mas também benefícios de programas de fidelização e pacotes de produtos.
Protocolos para comércio com agentes de IA
A Google lançou em 2025 o Agent Payments Protocol e apresentou no mês passado o Universal Commerce Protocol (UCP), que pretende normalizar a forma como empresas se ligam a agentes de inteligência artificial ao longo do processo de compra, incluindo identidade digital e pagamentos.
Segundo a empresa, o checkout alimentado por UCP está a ser implementado nos Estados Unidos, permitindo compras directas da Etsy e Wayfair através do AI Mode e da aplicação Gemini, com Shopify, Target e Walmart previstas para breve.
A Google afirma ter recebido interesse de centenas de empresas tecnológicas, parceiros de pagamento e retalhistas, embora não tenha divulgado números específicos de adesão ao protocolo.
YouTube e ligação entre marcas e criadores
No YouTube, plataforma de streaming mais vista nos Estados Unidos segundo dados da própria Google, a estratégia passa por usar IA para fazer corresponder marcas com criadores de conteúdo cujas audiências possam ter interesse nos produtos. A empresa já tinha lançado a funcionalidade “open call” para facilitar parcerias entre anunciantes e criadores.
Ferramentas criativas com Gemini 3
A Google revelou que em 2025 registou um aumento de três vezes nos recursos criativos gerados por IA pelos anunciantes. Apenas no quarto trimestre, o Gemini terá sido usado para gerar quase 70 milhões de recursos criativos nas ferramentas AI Max e Performance Max, segundo números da empresa.
As ferramentas incluem Nano Banana e Veo 3, disponíveis no Google Ads Asset Studio, que permitem criar conteúdo visual em minutos. A empresa posiciona estas ferramentas como forma de tornar a criação de conteúdo publicitário mais acessível.
Em síntese
A Google apresenta 2026 como o ano em que a inteligência artificial se torna central na publicidade digital e no comércio electrónico. A estratégia assenta em três vectores principais: novos formatos publicitários integrados em experiências de pesquisa com IA, protocolos para facilitar compras através de agentes de IA, e ferramentas de criação de conteúdo alimentadas pelo modelo Gemini 3.
A implementação destas mudanças está em fases diferentes conforme as geografias e produtos, começando pelo mercado norte-americano. O impacto real destas inovações em mercados como Angola dependerá da adopção local das tecnologias Google e da maturidade do ecossistema de comércio electrónico.




