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Digital 2026: Mais de Metade dos Angolanos Continuam Sem Acesso à Internet

Relatório da DataReportal revela crescimento estável da internet, forte juventude demográfica e ascensão do TikTok em Angola

Angola terminou 2025 com 17,6 milhões de utilizadores de internet, o equivalente a 44,8% da população. Apesar do crescimento absoluto de 3,0% face ao ano anterior, a taxa de penetração manteve-se praticamente inalterada. Os dados constam do relatório Digital 2026: Angola, publicado pela DataReportal com o apoio da Kepios, e revelam que 55,2% da população continua sem acesso à internet.

Um país jovem, urbano e predominantemente móvel

Angola tinha 39,3 milhões de habitantes no final de 2025, mais 1,2 milhões do que no ano anterior. A idade mediana é de 16,6 anos e mais de metade da população tem menos de 18 anos. Cerca de 70% dos angolanos vivem em centros urbanos.

Existiam 30,6 milhões de ligações móveis activas, equivalentes a 77,8% da população. Aproximadamente 94,9% dessas ligações são classificadas como banda larga móvel, incluindo 3G, 4G e 5G. O relatório sublinha, contudo, que isso não implica necessariamente utilização regular de internet, uma vez que alguns planos podem incluir apenas serviços de voz e SMS.

A velocidade média de download em ligações fixas situava-se nos 20,39 Mbps, representando um aumento de 9,7% em doze meses.

Redes sociais: alcance ainda limitado

Em Outubro de 2025, Angola registava 5,50 milhões de identidades de utilizadores em redes sociais, o equivalente a 14% da população total e a cerca de um terço dos utilizadores de internet.

O Facebook concentra 5,50 milhões de utilizadores e registou um crescimento anual de 12,2%.

O TikTok contabilizava 3,95 milhões de utilizadores adultos (18+), representando 22,4% da base de internautas. O crescimento trimestral foi de 17,8%, o mais elevado entre as plataformas analisadas no período. A audiência é maioritariamente masculina.

O LinkedIn atingiu 1,40 milhões de membros, com um crescimento anual de 27,3%. O Instagram registou 1,03 milhões de utilizadores, enquanto o Messenger contabilizou 1,20 milhões. O X e o Reddit mantêm expressão residual no mercado.

O que dizem os dados para o mercado de comunicação e marketing

Os dados sugerem três tendências estruturais.

Primeiro, a maioria da população permanece fora da internet, o que indica que o crescimento digital tem acompanhado o crescimento demográfico, sem ganhos significativos em termos de penetração relativa. a elevada percentagem de população offline — 55,2% — significa que estratégias exclusivamente digitais continuam a ter alcance estruturalmente limitado, tornando os canais tradicionais relevantes para quem pretende escala nacional.

Segundo, a juventude demográfica poderá influenciar a evolução futura do consumo digital, nomeadamente em formatos de vídeo curto e plataformas orientadas para públicos mais jovens. O crescimento acelerado do TikTok, combinado com a juventude demográfica do país, é apontado no relatório como uma das tendências com maior impacto estrutural para a comunicação de marcas orientadas para o consumidor.

Terceiro, o LinkedIn, apesar de ainda representar uma audiência de nicho, é descrito como um espaço com potencial crescente para comunicação B2B e institucional, dado o ritmo de crescimento registado.

O relatório evidencia ainda uma predominância masculina nas principais plataformas, especialmente no TikTok e no LinkedIn.

Em síntese

Angola apresenta crescimento digital sustentado, mas com penetração ainda inferior a metade da população.

A estrutura demográfica é um factor determinante para a evolução futura do mercado digital.

As redes sociais representam um segmento relevante, mas não universal.

O desenvolvimento do ecossistema digital angolano mantém-se gradual e condicionado por factores demográficos e de acesso.

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