Gerir Redes Sociais Está a Esgotar Quem Trabalha Nessa Área
Estudo da Metricool revela sobrecarga, acumulação de funções e reconhecimento limitado entre profissionais de redes sociais

Um novo relatório da Metricool mostra que quase metade dos profissionais de social media já pensou em abandonar a profissão. Os dados apontam para uma função cada vez mais exigente e com baixos níveis de reconhecimento organizacional.
Uma profissão que cresceu sem condições para crescer
O relatório Well-Being in Social Media Professionals 2026, publicado pela Metricool, plataforma espanhola de gestão e análise de redes sociais, recolhe percepções de profissionais da área a nível global e traça um retrato que combina satisfação com sinais claros de pressão estrutural.
A Metricool tem um posicionamento comercial no sector que analisou, o que não invalida os dados, mas justifica que sejam lidos com esse contexto em mente.
Sessenta e quatro por cento dos inquiridos avaliam o seu trabalho de forma positiva. Os restantes 36% têm uma percepção negativa do seu bem-estar. O relatório não detalha publicamente a dimensão total da amostra nem a sua distribuição geográfica, o que limita a extrapolação directa dos resultados para mercados específicos.
O problema mais recorrente começa na estrutura das equipas. Cinquenta e nove por cento dos profissionais trabalham sozinhos. Apenas 1% integra uma equipa com mais de 15 pessoas. A maior parte das organizações ainda trata a gestão de redes sociais como uma função individual.
O que se pede a um gestor de social media hoje
O relatório descreve um perfil profissional que acumula, em simultâneo, funções que noutras áreas seriam distribuídas por várias pessoas.
Entre as tarefas mais comuns estão a estratégia e o planeamento de conteúdo (92%), a criação de conteúdo (92%), a análise de dados e reporting (79%), o copywriting (77%), a edição de vídeo (73%), o design gráfico (72%) e a gestão de comunidade (70%).
Setenta e cinco por cento dos profissionais dizem usar “demasiados chapéus” ao mesmo tempo. O gestor de social media surge descrito no relatório como um perfil híbrido entre estratega, criativo, analista e gestor de comunidade.
Reconhecimento baixo, pressão alta
Os dados sobre valorização profissional são dos mais salientes do relatório. Cinquenta e sete por cento dos profissionais de social media dizem sentir-se menos valorizados do que colegas de outras áreas do marketing. Apenas 24% receberam um aumento salarial no último ano. Apenas 15% foram promovidos. E 37% não receberam qualquer tipo de reconhecimento pelo seu trabalho.
A pressão é também uma constante. Oitenta e sete por cento dizem sentir-se sobrecarregados, com frequência ou às vezes. Setenta e três por cento trabalham fora do horário laboral. Trinta e sete por cento fazem horas extra com regularidade.
As principais causas apontadas para o trabalho fora de horas são as mudanças de última hora (53%), a cobertura de eventos e live marketing (35%) e os lançamentos de campanhas (32%).
O stress tem nome e consequências
As fontes de pressão identificadas pelos inquiridos apontam sobretudo para a dinâmica das plataformas digitais: a necessidade constante de novas ideias (58%), estar permanentemente online (54%), os pedidos de última hora (48%), a pressão para responder de imediato (48%) e as mudanças de algoritmo (44%).
A pressão para provar resultados também pesa. Trinta por cento dos profissionais dizem sentir uma pressão constante para demonstrar retorno sobre o investimento. Vinte e sete por cento sentem-se ansiosos quando comparam os seus resultados com os de outras contas.
As consequências no bem-estar referidas pelos inquiridos incluem perda de motivação ou criatividade (73%), fadiga mental (69%), dificuldade em desligar (62%), situações de burnout ou quase burnout (46%) e problemas de sono (44%). Sessenta e nove por cento classificam o trabalho como stressante. Apenas 5% dizem não sentir stress.
O dado mais citado no relatório: 46% dos profissionais já consideraram abandonar a profissão por causa do stress.
O que os profissionais pedem
Apesar de 86% classificarem o seu equilíbrio entre vida pessoal e trabalho como bom ou excelente, 44% admitem não conseguir desligar verdadeiramente.
Para gerir a pressão, os profissionais recorrem a actividades de lazer (70%), exercício físico (68%) e a uma comunicação mais clara com chefias ou clientes (50%). A nível de ferramentas, 72% já usam inteligência artificial e automação para gerir a carga de trabalho.
Quando perguntados sobre o que precisa de mudar nas suas condições de trabalho, as respostas são: melhor planeamento e processos internos (37%), novas ferramentas para ganhar eficiência (34%), limites de horário mais claros (14%) e mais autonomia (9%).
Em síntese
O relatório da Metricool aponta para uma tensão crescente na profissão: a gestão de redes sociais tornou-se uma função com peso estratégico e exigências multidisciplinares, mas os níveis de reconhecimento e as condições de trabalho reportados pelos inquiridos não acompanharam essa evolução.
Os dados sugerem um risco de rotatividade num sector que depende de perfis cada vez mais qualificados. A verificação independente destas tendências, nomeadamente em mercados como o africano, exigiria estudos com amostras e metodologias próprias.
Fonte: Well-Being in Social Media Professionals 2026, Metricool




