Visa Aponta Nova Fase do Comércio Com IA Como Agente Activo
Estudo indica que agentes de inteligência artificial começam a influenciar decisões e transacções, com empresas a preparar-se para interagir com sistemas automatizados

A Visa divulgou um relatório em que defende que os agentes de inteligência artificial estão a deixar de ser ferramentas de apoio à decisão para se tornarem participantes activos nas transacções. O estudo, desenvolvido em parceria com a Morning Consult, introduz o conceito de B2AI – comércio de empresa para inteligência artificial – e conclui que empresas e consumidores já se estão a preparar para essa realidade, ainda que com condições.
O que diz o relatório
O Visa B2AI Report foi conduzido entre 29 de Janeiro e 6 de Fevereiro de 2026, junto de 2.000 adultos norte-americanos e 512 decisores empresariais nos Estados Unidos. Os números apontam para uma transformação em curso em ambos os lados do mercado.
Do lado das empresas, 53% dos inquiridos afirmam estar disponíveis para permitir que agentes de IA negociem preços ou condições directamente com outros agentes de IA, sem intervenção humana directa. Outros 88% declaram-se dispostos a partilhar dados de preços ou inventário com sistemas de IA empresariais, e 77% já utilizam ou estão a testar IA nas suas operações.
Do lado dos consumidores, a abertura existe mas vem acompanhada de reservas. Cinquenta e oito por cento dos americanos sentem-se confortáveis com a IA a comparar preços, e 55% aceitam que ela aplique descontos de forma autónoma. Já a conclusão efectiva de uma compra só reúne o conforto de 38% dos inquiridos. A autonomia total é onde a resistência se torna mais evidente: apenas 27% aceitariam que a IA gastasse dinheiro sem qualquer limite definido, e 60% não permitiriam qualquer despesa sem aprovação prévia.
A confiança aumenta de forma assinalável quando há instituições financeiras envolvidas. Trinta e seis por cento dos consumidores confiam em sistemas de IA associados a bancos, 35% em sistemas ligados a redes de pagamento, e apenas 28% confiam em agentes de IA independentes.
O que está por trás desta mudança
A Visa descreve o B2AI como um modelo económico emergente no qual os agentes de IA actuam como participantes activos na tomada de decisões comerciais, enquanto os humanos mantêm a responsabilidade sobre as intenções e os resultados. Para Frank Cooper III, Diretor de Marketing da Visa, a questão central é a confiança: “O comércio está a passar de mercado para humano para mercado para máquina. Nesse mundo, como sempre, a confiança torna-se a infra-estrutura crítica. Se não a construirmos no comércio mediado por máquinas, a adopção estagna.”
O relatório aponta também que quase 40% dos americanos adquiriram algo que normalmente não teriam considerado comprar, directamente por influência de um agente ou ferramenta de inteligência artificial, o que sugere, segundo os autores, que a IA não está apenas a executar intenções de compra já formadas, mas também a gerá-las.
O que muda para marcas e profissionais de marketing
O relatório da Visa assinala uma ruptura com a lógica tradicional do marketing. Durante décadas, as marcas comunicaram para convencer humanos. O B2AI introduz uma camada nova: adaptar produtos, ofertas e comunicação a sistemas automatizados que actuam em nome desses humanos.
Setenta e um por cento das empresas inquiridas afirmam estar dispostas a optimizar produtos, ofertas e experiências especificamente para agentes de IA. A segmentação geracional reforça a dimensão da mudança: quase metade da Geração Z (48%) afirma confiar em sistemas de IA associados a redes de pagamento, mais do dobro dos Boomers, que ficam pelos 20%. Entre os mais jovens que já utilizam assistentes de compra baseados em IA, quase metade reporta ter feito compras que não teria considerado sem recomendação algorítmica.
Em síntese
O relatório B2AI da Visa identifica uma tendência que, segundo os dados recolhidos, está já a ganhar expressão no mercado norte-americano: os agentes de software começam a actuar como intermediários activos nas decisões de compra, em nome dos consumidores. Os dados indicam que as empresas estão a preparar-se para esse cenário e que os consumidores mostram abertura, mas exigem controlo e capacidade de intervenção. A confiança, particularmente quando associada a instituições financeiras reconhecidas, surge como o principal factor de adopção. O estudo é de autoria da própria Visa, uma das maiores redes de pagamento do mundo, o que deve ser tido em conta na leitura das suas conclusões.




