61% dos Consumidores Não Conseguem Nomear Uma Marca Que Use Bem a IA na Comunicação
Relatório da WordPress VIP aponta para uma nova disputa pela visibilidade em sistemas de inteligência artificial, num contexto em que os consumidores percepcionam a Internet como menos humana

Mais de seis em cada dez consumidores (61%) não conseguem identificar uma marca que utilize bem a inteligência artificial (IA) na sua comunicação, segundo o relatório “Future of the Web 2026”, da WordPress VIP. O mesmo documento indica que as equipas empresariais dedicam, em média, 16,6 horas semanais a melhorar a visibilidade das suas marcas em ambientes de IA, o que sugere que a corrida pela presença nestas plataformas avança mais depressa do que a capacidade de a transformar numa experiência valorizada pelo público.
De acordo com o relatório, 74% dos consumidores consideram que a Internet parece menos humana do que há dez anos. O documento refere ainda que a chamada “fadiga de bots” surge, em média, ao fim de cerca de 40 minutos de interacção.
É a partir daqui que o relatório defende que a marca que conseguir parecer humana na era da IA terá uma vantagem competitiva nos próximos anos, e que essa liderança continua em aberto. Acrescenta que 60% dos consumidores dizem que a presença de IA na comunicação de uma marca pode funcionar mais como factor de rejeição do que como benefício.
O conceito central do documento é o de AI brand visibility, ou visibilidade de marca em IA: a frequência com que uma marca aparece nas respostas produzidas por ferramentas como o ChatGPT, o Perplexity, o Claude ou o Gemini.
Não se trata do mesmo que o SEO (optimização para motores de busca). Uma empresa pode ocupar uma posição de destaque no Google e, ao mesmo tempo, quase não surgir nas respostas dos sistemas de IA. Durante anos, a pergunta dominante da estratégia digital foi como aparece a marca nos motores de busca. Começa agora a juntar-se-lhe outra: como aparece a marca nas respostas geradas por IA. O SEO não deixa de ser relevante, mas esta nova camada de descoberta e recomendação exige métricas próprias.
Segundo o relatório, ainda não existe uma ferramenta dominante para medir esta visibilidade. Não há um painel único capaz de acompanhar todas as plataformas de IA e nem sequer uma definição consensual do que é um bom desempenho.
O documento agrupa as soluções disponíveis em cinco categorias: monitorização de citações em IA, plataformas tradicionais de SEO com métricas de IA, análise do tráfego proveniente de sistemas de IA, plataformas de inteligência de marca e soluções desenvolvidas internamente. Por isso, as empresas tendem a combinar mais do que uma ferramenta.
Em síntese
- Segundo a WordPress VIP, 61% dos consumidores não identificam uma marca que use bem a IA na comunicação e 74% consideram a Internet menos humana do que há dez anos.
- As equipas empresariais gastam, em média, 16,6 horas semanais a melhorar a visibilidade em ambientes de IA.
- A visibilidade de marca em IA é distinta do posicionamento no Google e ainda não tem ferramenta dominante nem definição consensual de bom desempenho.
- Os dados provêm de um relatório de marca, sem metodologia detalhada no capítulo analisado.
Uma nota de cautela
O relatório é um conteúdo de marca, produzido por uma empresa que comercializa uma plataforma para websites, e não um estudo académico ou uma investigação independente. No capítulo analisado, a metodologia que sustenta números como os 74%, os 61% ou os 40 minutos não é apresentada de forma suficiente: faltam dados sobre a dimensão da amostra, os países abrangidos, o perfil dos participantes, o período de recolha e a formulação exacta das perguntas.
Isto não invalida os resultados, mas aconselha a lê-los como indicações da fonte e não como conclusões válidas para todos os consumidores.




