
Com mais de 15 anos de experiência profissional, Sara Guerreiro tem desenvolvido o seu percurso nas áreas da comunicação, criatividade, digital e inovação. Actualmente, é CX & Inovação Lead da TIS, depois de ter participado em projectos que acompanharam a evolução da comunicação digital em Angola, entre os quais a criação da Digital Factory, onde exerceu funções de Directora Criativa. A liderança de equipas, a valorização do talento e a capacidade de transformar ideias em estruturas de trabalho são elementos presentes na sua visão profissional. Nesta edição do BI Profissional, fala sobre liderança, criatividade, campanhas que marcaram o mercado angolano e a importância de aprender com os erros.
Qual é a primeira app que abres logo de manhã?
Inevitavelmente, o WhatsApp. Normalmente tenho sempre mensagens por ler, e por vezes as dinâmicas de trabalho são tão intensas e estimulantes que o dia começa muito antes de me sentar à frente do computador.
Mas, de uma forma geral, gosto de começar as manhãs com mais calma. Gosto de dar uma vista de olhos pelas principais notícias do dia e de dar uma volta pelo LinkedIn e Instagram. Embora seja difícil, com dois filhos pequenos, o conceito de slow mornings nem sempre acontece. A energia deles encarrega-se de garantir isso.
Qual é a percepção que toda a gente tem de ti e que não corresponde à verdade?
Acho que, numa primeira impressão, algumas pessoas podem achar que sou um pouco reservada. Mas, na realidade, sou apenas alguém que prefere conhecer as pessoas com tempo e deixar que elas também me conheçam sem pressas.
Gosto muito de liderar equipas e, muitas vezes, a responsabilidade do cargo faz com que as pessoas nos vejam como mais sérios ou distantes. Quando os prazos apertam ou é preciso mudar rapidamente a direcção de um projecto, nem sempre há espaço para mostrar o lado mais descontraído. Mas acredito que, com o tempo, as pessoas percebem que gosto de ouvir, que me preocupo genuinamente com quem trabalha comigo e que os resultados só acontecem porque existe uma boa equipa.
Se tivesses de escolher apenas um projecto da tua carreira para mostrar a um desconhecido, qual seria e porquê?
Essa é provavelmente uma das perguntas mais difíceis, porque tive a oportunidade de trabalhar em projectos muito relevantes. Mas, se tivesse de escolher apenas um, escolheria a criação da Digital Factory.
Foi um projecto que nasceu do zero, numa altura em que o mercado angolano ainda estava a perceber o valor do digital para as marcas. Começámos com uma identidade por construir, uma proposta de valor por provar e apenas um cliente. Cinco anos depois, trabalhávamos com dezenas de marcas relevantes em vários sectores. O mais importante, para além do crescimento, foi termos criado uma nova forma de pensar comunicação, criatividade e digital em Angola.
Enquanto Directora Criativa, ajudei a transformar talento disperso em capacidade colectiva, juntando jovens criativos, freelancers e profissionais de diferentes áreas em torno de uma cultura de inovação, exigência e execução.
Escolheria este projecto porque resume bem a minha forma de trabalhar: transformar uma visão em estrutura, uma equipa em cultura e uma ideia em valor real para o mercado.
Que campanha angolana, de qualquer marca, te fez pensar “isto foi mesmo bem feito” e porquê?
Sempre tive um carinho muito especial pelas campanhas da Unitel. E o facto de ter vivido, durante três anos, a cultura do “Somos Unitel” torna esse sentimento ainda mais forte.
Se tivesse de escolher uma campanha, seria “Um por Todos, Todos por Angola”, criada para assinalar o 41.º aniversário da Independência de Angola. Era uma campanha construída a partir de histórias reais, com pessoas reais, e conseguiu criar uma ligação emocional muito forte com as pessoas. A participação do Anselmo Ralph deu-lhe ainda mais força, juntando orgulho, memória, emoção e esperança de uma forma muito autêntica. A marca colocou-se num papel muito relevante ao celebrar as pessoas e o país, em vez de aparecer como protagonista a vender telecomunicações.
O que é que fazes quando um projecto corre mesmo mal e precisas de recuperar a cabeça?
Uma das coisas que aprendi com o tempo é que reagir de cabeça quente raramente melhora alguma coisa. Quando um erro já aconteceu, o mais importante é aceitá-lo, perceber o que falhou e transformar essa aprendizagem em melhor critério para a próxima decisão.
Normalmente, reencontro esse equilíbrio em duas coisas. Primeiro, nos meus filhos. Estar com eles muda-me imediatamente o foco e lembra-me o que realmente importa. Depois, no padel, que pratico há vários anos e que hoje funciona quase como terapia: durante aquele tempo desligo do trabalho e reorganizo a cabeça.
Acho que crescer também é isto: aprender a não dramatizar o erro, mas também a não desperdiçá-lo.
Quem é a primeira pessoa a quem ligas quando estás com dúvidas ou precisas de alguma ajuda a nível profissional?
Depende muito do tipo de desafio que tenho pela frente. Uma das coisas de que mais gosto no mercado é que existe uma grande proximidade entre profissionais. Ao longo dos anos fui criando uma rede de pessoas muito competentes e, felizmente, há uma enorme disponibilidade para partilhar conhecimento.
Quando preciso de uma perspectiva mais estratégica, costumo recorrer a antigos líderes, colegas ou parceiros com quem fui trabalhando ao longo da carreira. São pessoas em quem confio, que me desafiam a pensar de forma diferente e cuja experiência acrescenta sempre valor às decisões que tenho de tomar.
Ficha Rápida
Nome: Sara Guerreiro
Cargo: CX & Inovação Lead
Empresa: TIS
Experiência: Experiência: Mais de 15 anos de experiência nas áreas da comunicação, criatividade, digital e inovação. Foi Directora Criativa da Digital Factory, tendo participado na criação e desenvolvimento do projecto.
O BI Profissional é uma rubrica do Marcas em acção dedicada aos profissionais que ajudam a construir as marcas, as narrativas e a comunicação em Angola.
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