Zuckerberg Planeia Automatizar Criação de Anúncios com Inteligência Artificial
Ferramentas em desenvolvimento permitirão que marcas criem anúncios completos com inteligência artificial, dispensando equipas criativas e produção tradicional

A Meta Platforms revelou planos para expandir significativamente o uso de inteligência artificial na criação publicitária. Segundo uma investigação do The Wall Street Journal, a empresa de Mark Zuckerberg pretende permitir que as marcas criem e direccionem anúncios de forma totalmente automatizada através de inteligência artificial até ao final de 2025.
A proposta da Meta vai muito além das ferramentas de IA já existentes na sua plataforma publicitária. Enquanto actualmente o sistema apenas gera variações de anúncios existentes e faz pequenos ajustes, o novo objectivo é revolucionário: permitir que as marcas criem conceitos publicitários do zero, sem intervenção humana.
O funcionamento seria aparentemente simples. Uma marca apresentaria apenas uma imagem do produto a promover e um objectivo orçamental. A partir daí, a inteligência artificial criaria todo o anúncio – incluindo imagens, vídeo e texto -, decidiria que utilizadores do Facebook e Instagram segmentar e ofereceria sugestões de orçamento.
Mas a ambição não fica por aqui. A Meta planeia também personalização em tempo real, onde os utilizadores veriam versões diferentes do mesmo anúncio baseadas em factores como geolocalização. Um exemplo prático: quem visse um anúncio de automóvel numa zona nevada veria o carro a conduzir numa montanha, enquanto numa área urbana o mesmo anúncio mostraria o veículo em ruas citadinas.
Para as agências criativas, este desenvolvimento representa um desafio significativo ao modelo de negócio tradicional. Caso a Meta implemente com sucesso esta visão, poderá reduzir a necessidade de serviços tradicionalmente fornecidos pelas agências: criação de conceitos, produção de conteúdos visuais, definição de estratégias de segmentação e optimização de campanhas.
Mark Zuckerberg explicou a visão da empresa durante a assembleia anual de accionistas: “Num futuro não muito distante, queremos chegar a um mundo onde qualquer negócio possa simplesmente dizer-nos que objectivo está a tentar alcançar, quanto está disposto a pagar por cada resultado, conectar a sua conta bancária e nós fazemos o resto.”
Esta mudança pode alterar significativamente o papel das agências no processo criativo e estratégico da publicidade digital.
Nem tudo é linear nesta revolução anunciada. Algumas grandes marcas mostram-se reticentes em conceder ainda mais controlo à Meta sobre os seus esforços publicitários, especialmente considerando o peso já significativo da empresa no sector. Há também preocupações sobre se campanhas geradas por IA conseguirão manter a mesma qualidade e identidade visual das criações humanas.
Tecnicamente, o projecto enfrenta desafios consideráveis. As ferramentas requerem poder computacional massivo e a criação de modelos de IA únicos para cada marca. Além disso, a tecnologia actual de geração de imagens por IA ainda produz frequentemente resultados distorcidos ou inutilizáveis, exigindo trabalho intensivo para melhorar a qualidade.
Esta aposta na automatização publicitária insere-se na visão mais ampla de Zuckerberg para a evolução da Meta. A publicidade representa mais de 97% das receitas da empresa em 2024 e financia os investimentos multimilionários em chips de IA, centros de dados e desenvolvimento de modelos de inteligência artificial de vanguarda.
Para pequenas e médias empresas – que constituem a maioria dos anunciantes nas plataformas da Meta – estas ferramentas podem ser revolucionárias, permitindo criação publicitária profissional sem grandes orçamentos.
A Meta não está sozinha nesta corrida. A Google lançou recentemente uma nova versão da sua ferramenta de geração de vídeo, a Veo, que permite criar vídeos curtos a partir de comandos de texto. Simultaneamente, muitas marcas já utilizam ferramentas de terceiros como Midjourney e DALL-E da OpenAI para criar anúncios que depois colocam em todas as plataformas digitais, incluindo as da Meta.
O desenvolvimento desta tecnologia coloca as agências criativas perante a necessidade de adaptação. O sector poderá evoluir no sentido de oferecer serviços de maior valor acrescentado, como estratégia de marca, consultoria especializada e supervisão criativa de processos automatizados.
A implementação bem-sucedida desta tecnologia pela Meta dependerá da resolução dos desafios técnicos actuais e da aceitação por parte das marcas. O impacto real no sector criativo tornar-se-á mais claro à medida que estas ferramentas forem desenvolvidas e testadas no mercado.
Baseado em reportagem do The Wall Street Journal, “Meta Aims to Fully Automate Ad Creation Using AI”




