CRIATIVIDADE

Indústria Criativa Desperdiça Potencial de Quase Metade dos seus Profissionais

Investigação norte-americana aponta que 48% dos profissionais do sector são neurodivergentes mas enfrentam barreiras no local de trabalho

Um novo estudo sobre neurodiversidade na indústria criativa norte-americana revela dados que podem levar as empresas do sector a repensar as suas práticas de gestão de talento. A investigação “Desbloqueando a Neurodiversidade: Uma Vantagem Criativa“, conduzida pela organização Understood.org em parceria com a American Association of Advertising Agencies (4As) e o grupo Havas, examinou as experiências de funcionários neurodivergentes nos sectores da publicidade, marketing, relações públicas e media.

O estudo, realizado entre Abril e Maio de 2025 junto de 306 profissionais, indica que os funcionários neurodivergentes — que incluem pessoas com ADHD, dislexia, autismo e outras diferenças neurológicas — representam 48% dos profissionais da indústria criativa, comparativamente aos 31% da população geral.

Segundo os dados recolhidos, os funcionários neurodivergentes identificaram como principais competências a resolução de problemas, a capacidade de estabelecer conexões inesperadas e o pensamento criativo. Contudo, o estudo também documenta dificuldades significativas no ambiente de trabalho actual.

Nathan Friedman, Co-Presidente da Understood.org, comentou que “a neurodiversidade pode ser um superpoder para as agências e indústrias criativas, mas apenas quando é autenticamente abraçada e apoiada”. Friedman acrescentou que “as práticas actuais sobrevalorizam a velocidade e desempenho em tempo real, enquanto subvalorizam o pensamento divergente”.

Os resultados apontam que 90% dos funcionários neurodivergentes praticam “mascaramento” — adaptando o seu comportamento para se conformar com normas sociais — sendo duas vezes mais propensos a fazê-lo frequentemente em comparação com colegas neurotípicos.

O estudo indica ainda que 50% dos profissionais neurodivergentes não revelam a sua condição no trabalho, e 25% reportaram ter enfrentado discriminação. Como consequência, cerca de um terço manifestou insatisfação com os seus cargos actuais.

A investigação sugere que três em cada quatro funcionários — tanto neurodivergentes como neurotípicos — se sentem limitados criativamente pelas práticas actuais. O estudo identifica que reuniões consecutivas, mensagens instantâneas constantes e sessões de brainstorming em tempo real podem representar desafios particulares para profissionais neurodivergentes.

Os dados mostram que 70% dos participantes neurodivergentes reportam dificuldades com gestão de tempo, e 55% com organização.

Justin Thomas-Copeland, CEO da 4As, afirmou que a investigação “sublinha os desafios únicos que os criativos neurodivergentes enfrentam diariamente”, acrescentando que “as agências que abraçam mentes diversas não fazem apenas o que é correcto — desbloqueiam novos níveis de criatividade e inovação”.

Donna Murphy, CEO global das redes Havas Creative and Health, considera que “o futuro da criatividade pertence àqueles que pensam, fazem marketing e constroem de forma diferente”.

O relatório sugere várias mudanças organizacionais, incluindo a criação de espaços de trabalho mais flexíveis, horários adaptáveis, tempo para reflexão entre reuniões e uma abordagem mais proactiva no apoio aos funcionários.

O estudo combinou uma revisão bibliográfica de mais de 100 artigos, um inquérito quantitativo a 306 funcionários e entrevistas qualitativas com oito profissionais. A amostra foi recrutada através da rede da 4As e de um painel de especialistas da indústria.

Com dados que sugerem que mais de 50% da Geração Z se identifica como neurodivergente, as questões levantadas pelo estudo podem tornar-se cada vez mais relevantes para a gestão de recursos humanos na indústria criativa.

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