MEDIA

Estudo Analisa Utilização de IA Generativa por Jornalistas

Investigação na Bélgica e nos Países Baixos mostra uso crescente da IA generativa, sobretudo em apoio à escrita, sem mudanças estruturais nas redacções

A inteligência artificial generativa começa a ser utilizada nas redacções europeias, mas ainda não transformou significativamente os métodos de trabalho dos jornalistas. Esta é uma das principais conclusões de um estudo conduzido na Bélgica e nos Países Baixos que analisou como os profissionais dos media utilizam e percebem esta tecnologia.

Segundo a investigação, realizada por académicos das universidades belgas e holandesas, mais de metade dos 286 jornalistas inquiridos já experimentou ferramentas de IA generativa no seu trabalho. No entanto, a utilização centra-se principalmente no apoio às práticas actuais, especialmente na produção de conteúdos baseados em texto.

“A IA generativa ainda não está a transformar os fluxos de trabalho jornalísticos”, concluem os investigadores Stephanie D’haeseleer, Kristin Van Damme, Hannes Cools, Sarah Van Leuven e Tom Evens, responsáveis pelo estudo.

Os resultados indicam que os jornalistas vêem estas ferramentas como um assistente útil, mas não como uma tecnologia que vá substituir o trabalho humano. Os profissionais continuam a valorizar aspectos fundamentais do jornalismo como a autenticidade, a objectividade e a supervisão humana. O estudo focou-se em mercados noticiosos de pequena dimensão, pelo que os resultados podem não reflectir a realidade de redacções de maior escala ou de outros contextos geográficos.

O estudo, que abrangeu as redacções da Flandres, Valónia e Países Baixos, não encontrou diferenças significativas entre estas três regiões no que toca à adopção da IA generativa. Contudo, identificou que factores individuais, particularmente o nível de literacia em inteligência artificial, influenciam significativamente a probabilidade de um jornalista adoptar estas tecnologias.

Esta descoberta sugere que a formação e educação digital dos profissionais será determinante para a futura integração da IA nas redacções.

Apesar da crescente adopção, os jornalistas manifestam preocupações éticas relacionadas com o uso responsável da IA generativa. Os inquiridos defendem a necessidade de orientações éticas claras e de responsabilidades partilhadas dentro do ecossistema mediático.

A investigação sublinha que, embora a tecnologia ofereça potencial para tornar a produção noticiosa mais eficiente e automatizar algumas tarefas tradicionais do jornalismo, os profissionais mantêm uma abordagem cautelosa e centrada nos valores fundamentais da profissão.

Os autores do estudo enquadram estes desenvolvimentos no contexto de uma nova era do “jornalismo assistido por IA”, onde a inteligência artificial generativa funciona como catalisador de mudanças no sector.

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