CRIATIVIDADE

IA, Preço e Privacidade Moldam o Futuro da Publicidade em 2030

Novo estudo da WPP Media revela mudanças significativas nas expectativas sobre o futuro da indústria publicitária

Numa altura em que nos encontramos a meio caminho desta década, o relatório Advertising in 2030, desenvolvido pela WPP Media, actualiza as expectativas de especialistas sobre a evolução da publicidade até ao final da década. A investigação, realizada em Abril de 2025 com 62 especialistas internacionais do sector, revela mudanças notáveis nas expectativas face às edições anteriores de 2020 e 2021.

Uma das transformações mais marcantes registadas no estudo é a crescente confiança na inteligência artificial generativa como ferramenta criativa fundamental. Segundo os especialistas consultados, 71% prevêem que a maior parte do conteúdo criativo será gerada por IA até 2030, especialmente na publicidade, embora menos no cinema e televisão premium.

“A IA generativa deixou de ser uma hipótese distante para se afirmar como ferramenta central da criatividade publicitária”, indica o relatório. No entanto, a criatividade humana permanece no núcleo da ideação, sugerindo uma colaboração entre homem e máquina e não uma substituição completa.

Uma das revelações mais surpreendentes do estudo prende-se com a mudança de perspectiva sobre sustentabilidade. Enquanto em 2020 se previa que os factores ambientais atingiriam paridade com o preço nas decisões de compra, a realidade de 2025 mostra o preço a reassumir a sua primazia.

Os especialistas observam um maior pragmatismo dos consumidores e crescente ceticismo em relação a mudanças permanentes de comportamento. O receio de greenwashing também contribui para esta tendência, com os valores e ideais a cederem terreno à conveniência e ao preço.

O estudo aponta para uma adopção massiva de dados biométricos até 2030, com 82% dos especialistas a acreditarem que serão amplamente utilizados em autenticação e personalização. Contudo, a personalização extrema, incluindo dados médicos e genéticos, é vista como menos provável que em 2020, devido a resistências éticas e regulatórias.

Existe consenso de que não haverá uma abordagem global única para a privacidade, com diferentes blocos regionais – União Europeia, Estados Unidos, China, Índia e África – a seguirem caminhos distintos. Esta fragmentação regulatória exigirá estratégias adaptadas a cada mercado.

Contrariamente às previsões optimistas de anos anteriores, as expectativas sobre realidade virtual e metaverso diminuíram significativamente. Os especialistas não acreditam que VR/AR atinjam a adopção massiva inicialmente prevista, mantendo os smartphones como dispositivo dominante.

Apenas uma minoria prevê que mais de 5% dos lares tenham robots humanoides até 2030, embora a interacção bot-to-bot seja vista como provável, com assistentes digitais a mediarem grande parte do contacto entre consumidores e marcas.

O estudo indica que Google, Meta e Microsoft devem manter a sua liderança no sector tecnológico, apesar da concorrência emergente de empresas como OpenAI, xAI, Anthropic e Mistral. Os mundos virtuais não substituirão o mundo físico no quotidiano das pessoas, contrariando algumas expectativas mais futuristas.

Uma tendência preocupante identificada é a crescente dependência de criadores independentes e bots de IA para consumo de notícias, em detrimento dos media tradicionais. Esta mudança levanta questões sérias sobre credibilidade e desinformação.

Paralelamente, observa-se uma tendência para menor partilha pública de conteúdos pessoais nas redes sociais, obrigando as marcas a adaptarem-se a comunidades privadas e fechadas.

Uma conclusão fundamental do estudo é que a publicidade não só continuará a existir como se expandirá para novos sectores, incluindo retalho, mobilidade e transporte. A ubiquidade dos anúncios – digitais, físicos, out-of-home e baseados em IA – torna inviável um “mundo livre de publicidade”.

Os especialistas identificam ainda uma “fadiga de subscrições” como obstáculo à generalização de modelos de pagamento alternativos, consolidando a publicidade como motor económico fundamental da economia digital.

O estudo sobre publicidade em 2030 desenha um futuro inevitavelmente moldado pela inteligência artificial, fragmentação regulatória e permanência do preço como factor decisivo no consumo. Para os profissionais de marketing e comunicação, o desafio será navegar entre inovação tecnológica, privacidade, sustentabilidade e credibilidade da informação.

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