Estudo da Universidade de Yale Não Encontra Disrupção Significativa da IA no Mercado de Trabalho
Análise de 33 meses após o lançamento de ferramentas de IA generativa revela estabilidade no emprego, contrariando receios de automação em massa

Um novo estudo desenvolvido pelo The Budget Lab da Universidade de Yale conclui que a inteligência artificial generativa ainda não provocou uma disrupção significativa no mercado de trabalho americano, apesar da ansiedade generalizada sobre o seu potencial impacto no emprego.
O estudo, publicado a 1 de Outubro, analisou os 33 meses decorridos desde o lançamento público das primeiras ferramentas de IA generativa em Novembro de 2022, procurando evidências de mudanças substanciais na composição ocupacional e nos níveis de emprego.
Os investigadores Martha Gimbel, Molly Kinder, Joshua Kendall e Maddie Lee concluíram que as métricas analisadas indicam que o mercado de trabalho não sofreu uma disrupção perceptível desde a introdução pública da IA generativa, contrariando receios de que a automação estivesse a eliminar postos de trabalho cognitivos em massa.
Embora a composição ocupacional esteja a mudar mais rapidamente que no passado, a diferença não é substancial. Mais relevante ainda, segundo o estudo, esta tendência já era visível antes da introdução generalizada destas tecnologias nos locais de trabalho.
O estudo contextualiza os receios actuais através da comparação com períodos anteriores de mudança tecnológica. Historicamente, as disrupções tecnológicas nos locais de trabalho tendem a ocorrer ao longo de décadas, não de meses ou anos. Os computadores pessoais, por exemplo, só se tornaram comuns nos escritórios quase uma década após o seu lançamento comercial, e demoraram ainda mais tempo a transformar efectivamente os fluxos de trabalho.
A análise mostra que a taxa de mudança na composição ocupacional desde 2022 está apenas cerca de um ponto percentual acima da registada durante a adopção da Internet no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Além disso, os dados sugerem que esta tendência recente começou em 2021, antes do lançamento público das ferramentas de IA generativa.
Os sectores da Informação, Actividades Financeiras e Serviços Profissionais e Empresariais registaram as maiores mudanças na composição de empregos. Contudo, mesmo nestas indústrias com maior exposição teórica à IA generativa, as tendências já eram visíveis antes do lançamento das primeiras ferramentas públicas.
O estudo utilizou dois tipos de métricas: dados de “exposição” teórica, que indicam quais os empregos que poderiam potencialmente ser afectados pela IA, e dados de utilização real de ferramentas específicas.
Os resultados mostram estabilidade na proporção de trabalhadores em ocupações com diferentes níveis de exposição à IA. Mesmo entre os desempregados, não se verificou crescimento claro na exposição à tecnologia, independentemente da duração do desemprego.
“Embora a ansiedade sobre os efeitos da IA no mercado de trabalho actual seja generalizada, os nossos dados sugerem que permanece largamente especulativa”, concluem os autores, acrescentando que “a imagem que emerge reflecte estabilidade, não uma disrupção significativa ao nível de toda a economia” – pelo menos no período analisado até Julho de 2025.




