Marcas Mais Valiosas do Mundo Valem 3,6 Biliões de Dólares, Com NVIDIA a Liderar Crescimentos
Relatório Interbrand Best Global Brands 2025 destaca impacto da inteligência artificial na escolha de produtos e prevê divisão entre marcas "indispensáveis" e "descartáveis"

As 100 marcas mais valiosas do mundo valem agora 3,6 biliões de dólares, mais 150 mil milhões do que em 2024, segundo o relatório anual Best Global Brands 2025 da consultora Interbrand, divulgado agora. O crescimento de 4,4% reflecte a resiliência das grandes marcas tecnológicas num ano marcado por rápidas transformações no sector.
O estudo deste ano, intitulado “Radical Realities”, centra-se no impacto da inteligência artificial na relação entre marcas e consumidores. A Interbrand – consultora norte-americana especializada em valorização de marcas – defende que a IA está a criar uma divisão entre marcas “indispensáveis” (escolhidas por humanos) e “descartáveis” (delegadas a algoritmos).
A análise baseia-se em três pilares: desempenho financeiro das empresas, peso da marca na decisão de compra e capacidade de gerar lealdade. O relatório analisou 150 mil perfis de marca ao longo de vários meses.
Apple continua no topo do ranking com um valor de marca de 470,9 mil milhões de dólares, apesar de uma descida de 4%. Logo atrás surgem Microsoft (388,5 mil milhões, +10%), Amazon (319,9 mil milhões, +7%) e Google (317,1 mil milhões, +9%).
O destaque vai para a NVIDIA, fabricante de chips para inteligência artificial, que registou um crescimento de 116% – o maior da história do ranking –, elevando o seu valor de marca para 43,2 mil milhões de dólares. O desempenho reflecte a procura crescente por processadores especializados em IA.
Outras tecnológicas apresentaram igualmente crescimentos significativos: YouTube (+61%), Instagram (+27%), Netflix (+42%) e Uber (+38%).
O estudo regista 12 novas entradas – o maior número desde o início do ranking em 2000 –, incluindo Booking.com, Uniqlo, Shopify, BlackRock e Qualcomm.
O tema central do relatório deste ano é o impacto da inteligência artificial na construção e valor das marcas globais. Segundo a Interbrand, a IA não cria novos desafios, mas acelera os existentes, nomeadamente a perda de controlo das marcas sobre o processo de escolha dos consumidores.
O relatório destaca o conceito de “comércio agéntico”, exemplificado por parcerias como a da OpenAI com a Shopify, onde assistentes virtuais podem fazer compras autonomamente, reduzindo ou eliminando etapas da jornada tradicional do cliente.
Neste cenário, segundo o estudo, as compras podem acontecer através de uma conversa com IA, sem que o consumidor visite websites, leia avaliações ou compare opções. A consultora prevê que isto levará a uma “selecção acelerada” de marcas, favorecendo as que conseguirem manter relevância directa junto dos consumidores.
O relatório propõe uma métrica denominada Role of Brand Index (RBI), que pretende medir o grau em que uma marca é escolhida activamente por consumidores humanos, em vez de ser delegada a agentes de IA ou algoritmos.
Segundo a Interbrand, a análise de dados históricos sugere uma correlação entre RBI e desempenho financeiro: cada aumento de 1% no índice estaria associado a 2,3% de valorização do preço das acções de uma empresa.
Top 10 marcas mais valiosas de 2025
- Apple – 470,9 mil milhões USD (-4%)
- Microsoft – 388,5 mil milhões USD (+10%)
- Amazon – 319,9 mil milhões USD (+7%)
- Google – 317,1 mil milhões USD (+9%)
- Samsung – 90,5 mil milhões USD (-10%)
- Toyota – 74,2 mil milhões USD (+2%)
- Coca-Cola – 60,1 mil milhões USD (-2%)
- Instagram – 57,3 mil milhões USD (+27%)
- Mercedes-Benz – 50,1 mil milhões USD (-15%)
- McDonald’s – 53,0 mil milhões USD (estável)
Nota: O modelo de valorização da Interbrand combina análise financeira (lucros após impostos), avaliação do papel da marca nas decisões de compra e força da marca (capacidade de gerar lealdade). Os valores apresentados representam estimativas da consultora baseadas em dados públicos e modelos proprietários.




