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BCG Defende Adopção Rápida de Agentes de IA no Marketing

Estudo da Boston Consulting Group projecta ganhos significativos, mas implementação exige investimentos consideráveis e mudanças organizacionais profundas

A Boston Consulting Group (BCG) divulgou um estudo onde defende que os agentes de inteligência artificial – sistemas autónomos capazes de aprender e executar acções – representam uma oportunidade de transformação para o marketing. Segundo a consultora, as empresas pioneiras na adopção desta tecnologia poderão triplicar o retorno de investimento em algumas operações.

O documento projecta crescimentos potenciais de 5% a 10% nas receitas e eficiências de custos entre 15% a 20% nos gastos com marketing, embora não especifique o universo de empresas analisadas nem apresente dados de implementações completas em larga escala.

A investigação da BCG revela que mais de 80% dos diretores de marketing demonstram interesse crescente sobre o potencial da inteligência artificial, apesar de reconhecerem as pressões e desafios que a tecnologia introduz. Cerca de um terço dos responsáveis de marketing já realizou testes com IA para criação de conteúdo.

O estudo indica ainda que 43% dos executivos inquiridos afirmam investir entre 10 a 15 milhões de dólares anualmente na adopção de IA, valores que reflectem o comprometimento financeiro significativo que a tecnologia exige.

A BCG identifica seis áreas onde os agentes de IA podem criar impacto: análise de insights, inovação, criação de conteúdo, personalização, activação e medição de resultados. O estudo apresenta exemplos de aplicação, embora sem identificar as empresas envolvidas.

Entre os casos mencionados, a consultora refere um retalhista que terá utilizado “consumidores sintéticos” para testar mensagens, e uma empresa de media que capturou sinais de conteúdo viral para ajustar estratégias. Um terceiro caso menciona uma empresa de bens de consumo que introduziu sistemas automatizados em todo o processo de marketing.

A ausência de identificação das empresas e de dados concretos de resultados impede a verificação independente destas implementações.

O documento da BCG aponta para mudanças profundas na estrutura das equipas de marketing. Segundo a consultora, aproximadamente 75% dos diretores de marketing já investem em formação sobre IA generativa, reflectindo a necessidade de novas competências.

O estudo também regista tensões nas relações com fornecedores externos: 86% dos executivos de marketing inquiridos consideram que as agências criativas ainda não utilizam IA em escala, e 67% têm a mesma percepção sobre agências de media. Estes dados sugerem um desfasamento entre as expectativas dos clientes e a capacidade de resposta dos parceiros tradicionais.

A própria BCG reconhece obstáculos significativos. A fragmentação de dados é apontada como a principal barreira para escalar a IA generativa, sendo descrita como o factor mais determinante para o sucesso ou falha das implementações.

O estudo menciona ainda que cerca de 80% dos diretores de marketing estão a desenvolver planos de governança, o que reflecte preocupações com segurança, privacidade e uso responsável da tecnologia.

A consultora recomenda um plano de implementação de 9 a 12 meses, dividido em quatro etapas: validação inicial com casos de uso específicos, construção de fundações tecnológicas e formação de equipas, escalamento de processos redesenhados e, finalmente, incorporação permanente da tecnologia.

A BCG conclui que o próximo ano será “decisivo” para posicionamento competitivo, defendendo que a adopção rápida criará vantagens difíceis de recuperar por empresas retardatárias.

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