CRIATIVIDADE

Criação de Ecossistemas Criativos Marca Primeiro Painel do Luanda Creative Summit

Especialistas debatem desafios, oportunidades e caminhos para a consolidação das indústrias criativas em Angola

A discussão sobre a criação de ecossistemas criativos esteve no centro do primeiro painel do Luanda Creative Summit, reunindo profissionais de diferentes áreas para reflectir sobre o estado actual das indústrias criativas em Angola, os desafios estruturais do sector e as perspectivas de evolução.

O painel foi moderado por Irina Vasconcelos e contou com a participação de Cláudio Chocolate, CEO da Nine Films, Jorge Cohen, Director-Geral da Geração 80, e André Cardiga, Director-Geral da Papaya.

Ecossistema criativo em fase de consolidação

Ao longo do debate, foi referido que o ecossistema criativo angolano se encontra ainda numa fase de construção, apresentando progressos assinaláveis, mas também limitações estruturais. Entre os principais constrangimentos identificados estiveram a fragmentação dos agentes criativos e o funcionamento isolado de muitos projectos, com fraca articulação entre criação, produção, distribuição, financiamento e acesso ao público.

Foi igualmente sublinhada a importância de encarar as indústrias criativas numa lógica integrada, em que diferentes competências e funções operam de forma coordenada, permitindo maior eficiência e sustentabilidade.

Sustentabilidade e colaboração como desafios centrais

A discussão destacou que existe produção criativa regular em áreas como música, cinema, dança, teatro e publicidade. No entanto, foi apontado que o desafio central reside na capacidade de assegurar continuidade, estabilidade financeira e padrões consistentes de qualidade ao longo do tempo.

A colaboração entre agentes e disciplinas foi referida como um factor relevante para o fortalecimento do sector, num contexto em que o investimento inicial e a partilha de recursos continuam a ser desafios recorrentes.

Identidade cultural e estrutura do mercado

A identidade cultural angolana foi também abordada, com referência a expressões artísticas amplamente consumidas pelo público, mas que nem sempre beneficiam de enquadramento profissional ou valorização estrutural. Foi salientada a necessidade de os próprios criadores contribuírem para a organização e afirmação dessas identidades no mercado.

No plano estrutural, foram apontados factores como a existência de infra-estrutura técnica adequada, a regularidade dos projectos e a sustentabilidade financeira como condições essenciais para a transformação de iniciativas criativas em actividades economicamente viáveis.

Formação, investimento e acesso ao público

A formação e a profissionalização do sector surgiram como temas transversais, associadas à necessidade de reduzir a informalidade e reforçar a credibilidade das indústrias criativas. Foi ainda referido o papel do investimento privado e das marcas no financiamento da cultura, bem como a importância de políticas públicas consistentes.

O acesso ao mercado foi identificado como outro desafio, tendo sido mencionadas limitações relacionadas com o poder de compra, os meios de pagamento, a infra-estrutura tecnológica e os custos de acesso à internet.

Consolidação interna antes da projecção externa

Na parte final do painel, foi defendido que o fortalecimento do sector criativo angolano deve começar pela consolidação a nível nacional, antes de uma projecção regional ou internacional. Este processo foi descrito como um esforço colectivo, envolvendo múltiplos agentes e áreas criativas, tirando partido das ferramentas tecnológicas disponíveis e de novos modelos de produção.

O painel encerrou com a ideia de que o desenvolvimento das indústrias criativas em Angola depende da articulação entre agentes, do investimento estruturado, da formação contínua e de uma visão de médio e longo prazo, num sector que permanece em fase de consolidação.

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