37% dos Consumidores Já Começam as Pesquisas em IA
Estudo da Eight Oh Two mostra que a Inteligência Artificial já influencia a forma como consumidores pesquisam, comparam e escolhem marcas

Um estudo da Eight Oh Two, realizado em Novembro de 2025 junto de 500 utilizadores de ferramentas de inteligência artificial, indica que mais de um terço dos inquiridos abandonou os motores de busca tradicionais como ponto de partida para pesquisas online. A principal razão apontada é a preferência por respostas resumidas e directas, em detrimento de listas extensas de ligações.
A nova lógica de pesquisa
Os dados sugerem uma mudança nos hábitos de consumo de informação entre os utilizadores inquiridos. Destes, 62% afirmam preferir a IA porque esta fornece respostas condensadas, evitando a necessidade de percorrer múltiplos resultados. Paralelamente, 60% consideram que as respostas geradas por inteligência artificial são mais claras e úteis do que as obtidas em motores de busca convencionais — apenas 6% discordam desta avaliação.
A insatisfação com a pesquisa tradicional revelou-se transversal na amostra: 40% queixam-se de ter de clicar em várias ligações para obter uma resposta, 37% sentem-se sobrecarregados com publicidade, 33% têm dificuldade em encontrar respostas directas e 28% consideram a informação repetitiva ou de baixa qualidade.
Contudo, o estudo identifica um paradoxo relevante. Apesar de 80% dos utilizadores afirmarem confiar na imparcialidade da IA, 85% verificam as respostas noutras fontes. Os motores de busca mantêm, assim, um papel complementar: 47% dos inquiridos preferem-nos para avaliações e comparação de preços, 44% para notícias recentes e conteúdos visuais, e 35% para informação de saúde.
Entre as ferramentas mais utilizadas pelos inquiridos, o ChatGPT lidera com 76%, seguido do Gemini (61%), assistentes de voz (55%), IA integrada noutras aplicações (48%) e Copilot (28%).
Impacto nas decisões de compra
Segundo o estudo, quase metade dos inquiridos (47%) já recorreu à IA para apoiar decisões de compra. Destes, 57% utilizam-na para encontrar melhores preços, 54% para comparar produtos e 48% para obter resumos de avaliações. A adopção registada é mais expressiva entre a Geração Z (56%) e os Millennials (55%).
Os dados apontam ainda para o papel da IA na descoberta de marcas: 47% dos inquiridos reconhecem que a inteligência artificial influencia as marcas em que confiam. A IA poderá funcionar, neste contexto, como um filtro de consideração inicial, o que significa que marcas que não sejam facilmente compreendidas ou diferenciadas tenderão a não ser apresentadas nas respostas.
Quanto às expectativas futuras, 63% dos inquiridos prevêem aumentar o uso de IA no próximo ano e 59% acreditam que esta se tornará o seu principal método de pesquisa. Metade (50%) espera melhorias na verificação de factos e citação de fontes, enquanto 48% desejam que a IA execute tarefas completas de forma autónoma.
O que pode mudar para as marcas
O estudo sugere que a visibilidade das marcas poderá beneficiar de uma abordagem em duas frentes: nas respostas geradas por IA e nos resultados de pesquisa tradicional. A exposição de marca passaria a ocorrer em duas etapas — primeiro no resumo fornecido pela inteligência artificial, depois na verificação efectuada pelo consumidor através de motores de busca.
Esta possível dualidade poderá exigir que as marcas optimizem a sua presença digital não apenas para algoritmos de pesquisa, mas também para os modelos de linguagem que alimentam as ferramentas de IA.
O estudo da Eight Oh Two baseou-se numa amostra de 500 utilizadores de ferramentas de IA. A publicação não teve acesso à metodologia completa nem ao mercado geográfico abrangido pela pesquisa.
Em síntese: O estudo da Eight Oh Two aponta para uma possível reconfiguração do comportamento de pesquisa, com a IA a assumir maior relevância na descoberta de informação. Apesar da adopção crescente entre os inquiridos, estes mantêm um comportamento híbrido, combinando respostas de IA com verificação em motores de busca. Os dados, contudo, referem-se a uma amostra específica de utilizadores já familiarizados com ferramentas de IA, pelo que a sua extrapolação para o mercado geral deve ser feita com cautela.




