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A Adopção Global de IA Atingiu 16,3% em 2025, Mas Angola Continua Abaixo dos 10%

Relatório da Microsoft mostra crescimento global da IA, mas Angola continua entre os países com menor nível de adopção

A adopção de ferramentas de Inteligência Artificial generativa atingiu 16,3% da população mundial em idade activa no segundo semestre de 2025, de acordo com um relatório recente da Microsoft. Apesar do crescimento global, Angola permanece entre os países com menor penetração, com 9,7% da população a utilizar este tipo de tecnologia.

Crescimento global acelerado, mas cada vez mais desigual

O relatório indica que a utilização de IA continua a expandir-se em todo o mundo. Entre o primeiro e o segundo semestre de 2025, a taxa global de adopção aumentou 1,2 pontos percentuais, passando a abranger aproximadamente uma em cada seis pessoas em idade activa.

Esse crescimento, no entanto, está a ocorrer de forma desigual. Segundo a Microsoft, os países do Norte Global registaram um ritmo de crescimento quase duas vezes superior ao do Sul Global, o que fez aumentar o fosso entre os dois grupos. A diferença entre ambos passou de 9,8 para 10,6 pontos percentuais num único semestre.

Entre os países com maior taxa de adopção destacam-se os Emirados Árabes Unidos (64%), Singapura (60,9%), Noruega (46,4%), Irlanda (44,6%) e França (44%).

Angola mantém níveis baixos de utilização de IA

De acordo com os dados do relatório, Angola continua nos níveis mais baixos do ranking global de adopção de IA.

No primeiro semestre de 2025, a taxa de difusão era de 8,9%, subindo para 9,7% no segundo semestre. O crescimento de 0,8 pontos percentuais indica uma progressão moderada, mas ainda distante da média global de 16,3%.

No contexto africano, Angola surge no mesmo patamar que Madagáscar, Malawi e Moçambique (9,7%), enquanto países como a África do Sul (21,1%), Namíbia (13,8%) e Botsuana (13,7%) apresentam níveis significativamente superiores.

Plataformas de baixo custo ganham peso em mercados emergentes

O relatório destaca também a expansão do DeepSeek, uma plataforma chinesa de IA de código aberto e gratuita, cuja adopção tem sido particularmente elevada em mercados fora dos centros tecnológicos tradicionais.

Segundo a Microsoft, o DeepSeek apresenta taxas de utilização muito superiores à média em vários países, incluindo China, Bielorrússia, Cuba e Rússia, e regista uma penetração duas a quatro vezes superior em África face a outras regiões.

O documento associa esta expansão a factores como a gratuitidade da plataforma, a ausência de requisitos de pagamento e parcerias com empresas tecnológicas com presença em vários mercados africanos, incluindo Angola. Este conjunto de condições pode contribuir para uma maior utilização de ferramentas de IA em países com menores níveis de bancarização e poder de compra.

Factores que influenciam a adopção

A Microsoft identifica cinco factores principais que ajudam a explicar as diferenças entre países.

O primeiro é a existência de estratégias nacionais estruturadas, como no caso dos Emirados Árabes Unidos, que criaram um Ministério da Inteligência Artificial ainda em 2017.

O segundo é o nível de confiança pública. Nos EAU, 67% da população declara confiar na IA, contra 32% nos Estados Unidos.

O terceiro factor é a capacidade linguística dos modelos, com o relatório a referir melhorias significativas em idiomas como o coreano nos modelos mais recentes.

O quarto factor é a acessibilidade económica, com maior adopção em contextos onde existem opções gratuitas ou de baixo custo.

Por fim, o relatório refere o impacto de momentos de forte visibilidade pública, como fenómenos virais associados a determinadas funcionalidades de IA.

Em síntese

O relatório da Microsoft confirma que a Inteligência Artificial está a tornar-se uma tecnologia de uso cada vez mais generalizado, mas com diferenças profundas entre regiões e países. Angola permanece abaixo da média global, inserida no grupo de economias com menor nível de adopção.

A evolução futura dependerá não apenas da disponibilidade de ferramentas, mas também de factores como políticas públicas, capacitação, confiança dos utilizadores e qualidade da infra-estrutura digital.

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