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J.A.D.A. Assinala a Segunda Curta-Metragem de Autor de Cláudio Chocolate

A acção da obra do realizador angolano decorre num quarto de hotel em Luanda e centra-se numa relação marcada por tensão emocional e jogos de poder

J.A.D.A. (Jamais Amarei Diabo Algum) é a segunda obra cinematográfica de Cláudio Chocolate no domínio do cinema de autor. Depois de Michelle (2021), o realizador regressa com um filme centrado na observação das relações íntimas e das dinâmicas emocionais associadas ao poder, ao sucesso e à ascensão social.

Um espaço fechado como cenário central da narrativa

A acção decorre maioritariamente num quarto de hotel com vista para a Ilha de Luanda. É nesse espaço que se desenvolve a relação entre Adolfo, um homem de meia-idade profissionalmente bem-sucedido, e Sheila, uma mulher jovem e ambiciosa. A narrativa acompanha a convivência do casal, marcada por diálogos contidos, silêncios prolongados e tensões latentes.

O filme afasta-se de representações mais frequentes do quotidiano angolano, normalmente associadas a contextos de carência ou conflito social, para se concentrar num universo urbano e contemporâneo, onde se cruzam desejo, dinheiro e dependência emocional.

Continuidade temática em relação à obra anterior

Tal como em Michelle, Cláudio Chocolate volta a optar por uma narrativa concentrada num espaço limitado e num número reduzido de personagens. O foco mantém-se nos conflitos interiores e nas contradições individuais, privilegiando uma abordagem intimista em detrimento de uma leitura social mais directa.

Em J.A.D.A., o conflito surge sobretudo a partir das fragilidades emocionais das personagens, explorando temas como solidão, vaidade e desgaste psicológico em contextos de aparente estabilidade.

Elenco e construção das personagens

O filme conta com interpretações de Meirinho Mendes, que volta a trabalhar com o realizador, e de Gracyane Sukissa. As personagens são construídas através de interacções marcadas por pausas, gestos contidos e diálogos sugestivos, evitando explicações directas ou enquadramentos morais evidentes.

A relação entre Adolfo e Sheila evolui ao longo do filme como um jogo de poder e negociação, onde as motivações individuais se revelam de forma gradual.

Um retrato de realidades pouco expostas

Mais do que uma narrativa romântica, J.A.D.A. propõe um olhar sobre realidades que coexistem na sociedade angolana, mas que raramente são representadas no cinema nacional. A presença constante da ilha, observada à distância, funciona como elemento visual recorrente ao longo do filme.

Sem oferecer respostas fechadas ou conclusões evidentes, a obra convida o espectador a acompanhar um percurso marcado pela ambiguidade e pela tensão emocional.

O essencial

J.A.D.A. é a segunda curta-metragem de autor de Cláudio Chocolate e desenvolve-se num espaço fechado, centrando-se numa relação marcada por dependência, desejo e conflito interior. O filme aposta numa abordagem intimista e contida, explorando personagens e dinâmicas que raramente ocupam o centro do debate público.

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