TENDÊNCIAS

Cinco Tendências de Marketing Para 2026 Que Merecem Atenção das Marcas

Estudo com mais de um milhão de consumidores em 54 mercados revela mudanças no comportamento digital, fragmentação de audiências e chegada da Geração Alpha aos 16 anos

O relatório Connecting the Dots 2026, desenvolvido pela GWI, identifica cinco tendências que ajudam a compreender algumas das transformações em curso no marketing, num contexto marcado pela aceleração tecnológica, por comportamentos de consumo cada vez mais contraditórios e pela emergência de novas gerações com padrões próprios. Os dados sugerem um cenário mais complexo, onde abordagens simplificadas tendem a perder eficácia.

A IA está a acelerar processos, mas pode uniformizar os insights

A utilização de inteligência artificial no marketing tornou-se generalizada. Nos Estados Unidos, uma larga maioria dos profissionais de publicidade e marketing já recorre a ferramentas de IA no seu trabalho diário, sobretudo para ganhar rapidez e eficiência.

O relatório chama, no entanto, a atenção para uma limitação recorrente. Quando estas ferramentas se baseiam apenas em dados disponíveis na web aberta, os insights produzidos tendem a ser genéricos e, por vezes, estereotipados. A leitura dos consumidores fica condicionada pela qualidade e pela profundidade da informação de origem.

A análise sugere que o valor da IA aumenta quando é combinada com bases de dados estruturadas e com interpretação humana. Nestes contextos, os profissionais relatam melhorias na articulação interna, maior capacidade de identificar padrões inesperados e uma leitura mais detalhada dos públicos.

A distância entre intenção declarada e comportamento real continua a aumentar

Os dados confirmam algo que os profissionais já observam no terreno. Os consumidores revelam frequentemente incoerências entre aquilo que dizem valorizar e as decisões que efectivamente tomam. Preocupações ambientais, privacidade ou planeamento financeiro nem sempre se refletem no momento da compra.

Uma das leituras mais relevantes do relatório é a reinterpretação do conceito de compra por impulso. Em muitos casos, o impulso não corresponde a uma decisão totalmente espontânea, mas à activação de um desejo já existente, que ganha força através de validação social, perceção de valor ou sensação de oportunidade.

Entre 2019 e 2025, a relação entre intenção prévia e compra efectiva variou de forma significativa entre categorias. Num ambiente económico instável, os dados sugerem que as marcas têm menor controlo sobre factores externos, mas continuam a influenciar o contexto emocional e cultural em que as decisões acontecem.

As redes sociais mantêm um papel central na vida quotidiana

Apesar das narrativas recorrentes sobre uma eventual perda de relevância, as redes sociais continuam a concentrar uma parte significativa do tempo de consumo de media. Quando combinadas com formatos de vídeo curto, superam outras formas de entretenimento e informação.

O relatório mostra também uma mudança no modo de utilização. As redes tornaram-se menos orientadas para a interação social directa e mais focadas no consumo de conteúdos, no entretenimento e no acompanhamento de tendências. Entre os mais jovens, este padrão é ainda mais evidente.

Outro dado relevante é a multiplicação de plataformas utilizadas em simultâneo. Muitos consumidores distribuem a sua atenção por várias redes, atribuindo funções distintas a cada uma. Este cenário aponta para um ecossistema fragmentado, mas ainda central na estratégia de comunicação das marcas.

O Mundial de 2026 vai atrair públicos mais fragmentados

O Mundial de futebol de 2026, a realizar-se em três países e várias cidades, deverá concentrar elevados níveis de investimento publicitário, à semelhança de edições anteriores. No entanto, o relatório indica que o perfil dos públicos é hoje mais diverso do que no passado.

A investigação identifica diferentes formas de envolvimento com o evento. Há fãs fortemente ligados ao universo do gaming, consumidores que acompanham o torneio sobretudo através de conteúdos curtos e móveis, públicos interessados na dimensão cultural do Mundial e, ainda, consumidores que optam por não acompanhar o futebol, mas mantêm forte ligação a outros desportos.

Esta diversidade sugere que estratégias uniformes tendem a ser menos eficazes. As marcas enfrentam um cenário em que o engagement ocorre em múltiplos contextos, muitas vezes fora dos formatos tradicionais de transmissão.

A Geração Alpha afirma-se como um grupo distinto

Em 2026, os membros mais velhos da Geração Alpha atingem os 16 anos, um marco que reforça a necessidade de a analisar como uma geração com características próprias. Cresceram num contexto marcado pela pandemia, por uma presença constante do digital e por um maior controlo parental.

Os dados indicam que crianças e adolescentes deste grupo já participam activamente em decisões de consumo e valorizam ser tratados de forma adequada à sua idade. O gaming surge como um espaço de socialização e criação, mais do que como uma actividade isolada.

Ao mesmo tempo, há sinais de maior equilíbrio entre actividades digitais e presenciais, tanto por iniciativa dos pais como dos próprios jovens. O relatório alerta para o risco de repetir erros cometidos noutras gerações, ao assumir continuidades que podem não se verificar.

O que estas tendências sugerem para o marketing

Em conjunto, estas cinco tendências apontam para um ambiente mais exigente para marcas e profissionais. A tecnologia continua a ser relevante, mas não substitui dados de qualidade nem leitura contextual. Os consumidores revelam comportamentos menos previsíveis, os media estão mais fragmentados e as gerações apresentam diferenças estruturais.

Mais do que respostas rápidas, os dados reforçam a importância de abordagens informadas, flexíveis e ajustadas à complexidade do contexto.

Em síntese

As conclusões do Connecting the Dots 2026 sugerem que o marketing de 2026 será menos linear e mais dependente da capacidade de interpretar dados, comportamentos e contextos culturais. Para as marcas, o desafio passa por evitar generalizações e investir numa compreensão mais fina das pessoas e dos ambientes em que se movem.

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