PUMA Encerra 2025 Com Queda nas Vendas e Define 2026 Como Ano de Transição
Marca alemã regista queda nas vendas, suspende dividendos e prevê novo recuo em 2026 enquanto implementa medidas de eficiência e reposicionamento estratégico

A PUMA fechou 2025 com prejuízos operacionais e vendas em queda, resultado de uma reestruturação estratégica que a empresa iniciou para se reposicionar no mercado global. O ano de 2026 será de transição, com o regresso ao crescimento previsto pela marca apenas para 2027.
Um ano de resultados negativos, justificados pela empresa como opção estratégica
As vendas da PUMA caíram 8,1% em termos ajustados a câmbio, para 7.296,2 milhões de euros, e o resultado operacional ajustado ficou negativo em 165,6 milhões de euros. O resultado reportado, incluindo encargos extraordinários de 191,6 milhões de euros, atingiu os -357,2 milhões de euros.
A margem bruta recuou para 45,0%, penalizada pelo aumento das promoções no canal grossista, reservas de inventário e efeitos cambiais adversos.
Segundo a própria empresa, estes resultados reflectem opções tomadas deliberadamente: a PUMA reduziu a presença em canais que considerava prejudiciais para a imagem da marca e travou as promoções em canais próprios. O inventário cresceu ligeiramnnte para 2.060 milhões de euros; a empresa afirma que a limpeza da distribuição está a decorrer ligeiramente acima do plano.
Arthur Hoeld, CEO da PUMA, declarou: “2025 foi um ano de reset. Queremos estabelecer a PUMA como uma marca desportiva de topo a nível global, regressar a um crescimento acima do sector e gerar lucros saudáveis a médio prazo.” Arthur Hoeld referiu ainda a necessidade de tornar a marca “menos comercial” e de voltar a entusiasmar os consumidores com produtos atractivos, melhor comunicação e presença nos canais certos.
O que a empresa prevê para 2026
O ano em curso será de continuidade do processo de reestruturação. A PUMA prevê uma nova queda de vendas em dígitos baixos a médios, ajustada a câmbio, e um resultado operacional entre -50 e -150 milhões de euros.
Entre as prioridades operacionais anunciadas estão a continuação da redução de inventário, o encerramento de um programa de redução de cerca de 1.400 postos de trabalho corporativos iniciado em 2025, e investimentos de capital (CAPEX) de cerca de 200 milhões de euros focados na infraestrutura digital e nos canais directos ao consumidor.
Do ponto de vista da marca, a PUMA definiu quatro áreas estratégicas para 2026: futebol, com presença no Mundial de 2026; corrida, através da plataforma NITRO; treino, com a parceria exclusiva com a HYROX; e a linha Sportstyle Prime & Select. A empresa não irá distribuir dividendos relativos ao exercício de 2025, proposta que será levada à assembleia geral de 19 de Maio de 2026. Em 2024, o dividendo tinha sido de 0,61 euros por acção.
Um dado novo no horizonte: a entrada da ANTA
Em Janeiro de 2026, o grupo chinês Anta Sports anunciou um acordo para adquirir uma participação de 29,06% na PUMA, através da compra de acções à Artémis S.A.S. A transacção está sujeita a condições precedentes e poderá ter implicações na governação e orientação estratégica da empresa, embora o seu alcance concreto ainda não seja possível avaliar.
Em síntese
A PUMA atravessa um período de reestruturação com impacto negativo nos resultados de 2025, que deverão prolongar-se durante 2026. A empresa aposta na recuperação da distribuição e na eficiência operacional como condições para regressar ao crescimento a partir de 2027. Se as metas traçadas serão atingidas, só o tempo o dirá.




