MARKETING

Ricardo Costa Defende Criatividade e Propósito no Marketing de Guerrilha

No Congresso Nacional de Marketing e Publicidade, o gestor destacou a importância da ousadia e da paixão para fazer mais com menos

O Congresso Nacional de Marketing e Publicidade (CNMP 2025) reuniu, ontem, no Auditório da ENAPP, profissionais e estudantes da área sob o tema “Os novos caminhos do Marketing e a Publicidade”. Uma das presenças marcantes foi a do especialista Ricardo Costa, que partilhou ensinamentos sobre marketing de guerrilha e a importância da criatividade num mercado onde os orçamentos são limitados.

Com uma intervenção que misturou pragmatismo e inspiração, Ricardo Costa dirigiu-se particularmente aos estudantes que integram a plateia, deixando uma mensagem clara: “Vocês vão ser os melhores profissionais de marketing do país. Mas quando começarem a trabalhar, vão ouvir muitas vezes que não há dinheiro para marketing.” A mensagem foi directa e realista — a profissão exige paixão e resiliência.

O conceito central da sua apresentação foi simples, mas poderoso: o marketing de guerrilha é essencialmente fazer muito com pouco. “Quando não há dinheiro, há criatividade,” afirmou Ricardo Costa, sublinhando que a ousadia é o diferenciador numa indústria muitas vezes saturada.

O especialista, que é engenheiro civil de formação, revelou como a vida o trouxe até ao marketing. Hoje, confessa ser “completamente apaixonado” pelo que faz, e considera essa paixão essencial para superar as barreiras orçamentárias que caracterizam muitos projectos em Angola.

Para ilustrar os seus conceitos, Ricardo Costa apresentou exemplos práticos do seu trabalho com a marca YALA. Um dos casos mais notáveis foi uma intervenção criativa junto ao antigo “edifício da Coca-Cola”, que já não pertencia à marca. “Pagámos o espaço, fizemos uma intervenção criativa e criámos um enorme burburinho,” contou, enfatizando que conseguiram gerar impacto e notoriedade sem depender de campanhas televisivas de grande dimensão.

A lição é clara: o verdadeiro marketing de guerrilha assenta em ser audaz, em fazer-se ouvir e em criar impacto com recursos limitados.

Uma evolução interessante na estratégia apresentada foi a abordagem aos influenciadores digitais. Ricardo Costa revelou que inicialmente trabalhava com influenciadores de grande notoriedade, alguns recebendo valores equivalentes a um automóvel, mas os resultados foram decepcionantes.

A mudança de rumo foi significativa: apostaram em micro e nano influenciadores. “Essas campanhas humanizadas tiveram um impacto enorme, porque falaram com autenticidade,” explicou. O investimento foi reduzido para um décimo do anterior, enquanto os resultados melhoraram drasticamente.

Hoje, a sua organização trabalha com mais de 900 influenciadores de diferentes escalas, construindo uma comunidade digital genuína e sólida.

A mensagem final de Ricardo Costa foi de esperança e mobilização. “Esta é a nossa vez. Esta é a vez das marcas angolanas mostrarem do que são capazes,” afirmou, apelando à coragem, criatividade e convicção como ferramenta para competir no mercado global.

Um público atento aproveitou para absorver lições sobre resiliência, inovação e a possibilidade de fazer marketing de qualidade mesmo com constrangimentos orçamentários, temas particularmente relevantes no contexto angolano.

O Congresso Nacional de Marketing e Publicidade 2025 continuou ao longo do dia com outras intervenções de especialistas da área.

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