Inteligência Artificial: Ferramenta (Não Ameaça), Para o Futuro do Marketing
Flávio Bressan debate o papel transformador da IA no marketing durante o Congresso Nacional de Marketing e Publicidade

Ontem, o Auditório da ENAPP, em Luanda, recebeu a apresentação de Flávio Bressan sobre “A Inteligência Artificial no Marketing”, no âmbito do Congresso Nacional de Marketing e Publicidade (CNMP 2025), subordinado ao tema “Os novos caminhos do Marketing e a Publicidade”. O especialista traçou um panorama claro: a IA é muito mais uma oportunidade do que uma ameaça, desde que saibamos usá-la.
A discussão sobre inteligência artificial divide opiniões. Enquanto uns vêem uma ferramenta de auxílio, outros temem a perda de emprego. Flávio Bressan foi directo: ambas as perspectivas têm fundamento. Grandes empresas de tecnologia como Google e LinkedIn demitiram milhares de colaboradores, substituindo-os por sistemas automatizados. Porém, a questão central não é se a IA vai tirar o nosso emprego, mas se vamos aprender a trabalhar com ela.
“Quem não aprender a trabalhar com inteligência artificial corre o risco de ficar para trás”, alertou o apresentador.
Antes de mergulhar na inteligência artificial, Bressan regressou ao essencial: a definição de marketing. Dividindo a palavra em “market” (mercado) e “ing” (acção), o especialista explicou que marketing é, fundamentalmente, colocar o mercado em movimento — fazer com que as pessoas conheçam, se conectem e consumam produtos ou serviços, gerando valor e lucro.
“Marketing é amor, sim, mas é amor com lucro”, citou, evocando a definição clássica de Philip Kotler.
Flávio Bressan distinguiu dois tipos de inteligência artificial: a IA tradicional, utilizada desde a Primeira Revolução Industrial (nos caixas multibanco, sistemas telefónicos e automação geral), e a IA generativa, como o ChatGPT, capaz de raciocinar e ajudar no pensamento, criação e execução de tarefas.
Independentemente do tipo, o objectivo permanece o mesmo desde sempre: fazer mais, em menos tempo, com maior eficiência, aumentando o lucro. Segundo a Organização Mundial do Comércio, até 2040, a inteligência artificial deverá aumentar o volume global de bens e serviços em 37% — um crescimento colossal.
Um exemplo prático: quando fala sobre um produto, ele começa a aparecer nas suas redes sociais. Não é coincidência, é IA a trabalhar. Estima-se que metade de todo o tráfego nas redes sociais é influenciado ou gerido por sistemas de inteligência artificial.
“A IA já está a influenciar o que vemos, o que escolhemos e até o que pensamos”, alertou Flávio Bressan.
Um conceito central foi o dos agentes de inteligência artificial — sistemas capazes de raciocinar, planear e agir de forma autónoma, utilizando várias ferramentas (ChatGPT, DALL·E, Zapier, N8N) para tomar decisões e executar tarefas automaticamente.
Um exemplo concreto: um agente pode ser programado para desenvolver posts sobre viagens — gerando o texto, escolhendo imagens, agendando a publicação e medindo o engajamento — tudo sem intervenção humana.
Contudo, existe uma regra fundamental: “A IA faz o que lhe pedimos. Se não soubermos pedir bem, não teremos bons resultados.”
Daí surgiu uma nova profissão: o Prompt Engineer, o profissional que domina a arte de formular instruções eficazes para sistemas de IA.
Apesar da automação crescente, Flávio Bressan foi claro: a estratégia permanece fundamentalmente humana. Cabe aos profissionais de marketing decidir o que alcançar, que público atingir e que emoção provocar.
“Podemos automatizar tarefas, mas não podemos automatizar pensamento estratégico e criatividade”, sublinhou.
O ChatGPT pode escrever um texto, gerar um roteiro ou criar uma imagem, mas não sente empatia, não compreende nuances humanas, não consegue verdadeiramente conectar com o consumidor ao nível emocional. É precisamente aí que permanece o valor insubstituível do profissional de marketing.
Flávio Bressan também alertou para um aspecto frequentemente ignorado: a IA aprende connosco mesmo quando não a alimentamos directamente. Lê contexto, histórico e comportamento. Se tiver um CV no computador e pedir ao ChatGPT para sugerir melhorias, o sistema conseguirá fazê-lo porque “leu” o ambiente do seu dispositivo.
O desafio para os profissionais é aprofundar o conhecimento do consumidor com a mesma profundidade — perceber o que o move, o que sente e o que o influencia.
Num tempo de transformação constante, o aprendizado é obrigatório. Novos instrumentos surgem diariamente, e o papel dos profissionais é aprender a usá-los estrategicamente.
Flávio Bressan deixou duas citações como herança para o auditório: “Não há crescimento na zona de conforto, e não há conforto na zona de crescimento” e “É melhor falhar ao tentar do que não tentar.”
O futuro do marketing, concluiu, pertence a quem tem coragem de experimentar, adaptar-se e aprender todos os dias.
Para Flávio Bressan, a resposta é simples: “A inteligência artificial não é uma ameaça, é uma ferramenta.”
O que vai definir o futuro não é a tecnologia em si, mas a forma como a usamos. Combinar criatividade, empatia e visão estratégica para criar valor real é a fórmula que os profissionais de marketing precisam dominar.




