Adobe: 87% de Quem usa IA Criativa Diz Que Esta Faz Crescer o Negócio
Novo relatório da Adobe revela que a inteligência artificial criativa já é essencial para muitos criadores, impulsionando audiências, produtividade e novas oportunidades de negócio

A Adobe divulgou o seu 2026 Creators’ Toolkit Report, segundo o qual 87% dos criadores que utilizam IA criativa afirmam que esta acelerou o crescimento do seu negócio ou da sua audiência. O mesmo estudo indica que 75% a descrevem como integrada ou essencial na sua forma de trabalhar e que 85% defendem que a decisão criativa final deve permanecer sempre nas mãos do criador. Os dados resultam de um inquérito a mais de 16 mil criadores em oito países, conduzido pela própria Adobe, empresa que comercializa ferramentas de IA criativa como o Firefly.
Trata-se da segunda edição de um inquérito global da Adobe, desta vez junto de mais de 16 mil criadores nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Índia e Austrália, realizado em Maio de 2026 em parceria com a The Harris Poll. Para efeitos do estudo, a Adobe definiu como criadores os indivíduos que publicam conteúdo digital várias vezes por mês e geram rendimento através de plataformas digitais, sobretudo criadores ligados às redes sociais e não profissionais a tempo inteiro das indústrias criativas tradicionais. Convém ler os resultados tendo em conta que a empresa responsável pelo inquérito é também fornecedora de soluções de IA criativa.
De acordo com o relatório, a IA criativa deixou de ser, para muitos criadores, uma experiência secundária. A empresa aponta que 63% dizem sentir-se mais confiantes, mais profissionais ou mais sérios no seu trabalho desde que a utilizam, enquanto 48% afirmam sentir-se mais seguros quanto ao seu futuro como criadores. O documento refere ainda que 40% consideram que o conteúdo produzido com apoio de IA tem, de forma consistente, melhor desempenho.
O relatório sustenta que a vantagem competitiva se desloca do volume de conteúdos para a voz própria de cada criador. Segundo a Adobe, entre os criadores que dizem ser hoje mais difícil destacarem-se do que há um ano, 53% apontam o excesso de conteúdo como causa e 42% consideram que o material gerado por IA dificulta a afirmação de vozes singulares. Ainda assim, 85% acreditam que o trabalho que criam com IA continua a reflectir a sua voz, e 81% afirmam que o julgamento humano permanece essencial ao bom gosto criativo.
Citado no comunicado, Mike Polner, Vice-Presidente e responsável de marketing de produto para criadores na Adobe, afirma que a IA criativa está a abrir novas oportunidades e a transformar a forma como o trabalho criativo é feito, mas que a voz, o gosto e o julgamento continuam a distinguir os grandes criadores. A criadora Sophia Kianni, fundadora da Phia, também citada pela Adobe, destaca que o principal benefício destas ferramentas é o tempo que lhe devolvem, permitindo concentrar a energia na narrativa e na direcção criativa.
Os dados sugerem que a rapidez, por si só, não basta. A Adobe indica que 93% dos criadores dizem que a IA criativa os ajuda a produzir conteúdo mais depressa, mas que 57% reconhecem que os resultados exigem edição moderada ou extensa antes de estarem prontos a publicar. Por outras palavras, segundo o relatório, a tecnologia acelera o arranque, mas é o critério humano que determina o que vai para o ar.
O passo seguinte, de acordo com o estudo, são os agentes de IA, ou seja, sistemas capazes de orquestrar e executar tarefas em várias etapas. Aqui, a Adobe identifica uma lógica clara de controlo entre os criadores: 44% querem poder rever, editar ou anular a qualquer momento, 37% pretendem transparência sobre o que o agente está a fazer e porquê, e 34% exigem limites claros quanto aos dados e ferramentas a que o sistema pode aceder. O relatório resume esta posição com a ideia de que o controlo não é um obstáculo à adopção, mas sim uma condição prévia.
Surgem também novas questões em torno da divulgação e da propriedade do trabalho. A Adobe refere que 85% dos criadores consideram que as expectativas das audiências quanto à divulgação do uso de IA estão a aumentar ou a manter-se, e que 75% acreditam que o público já consegue perceber quando a IA teve um papel relevante. Apesar disso, apenas 49% dizem divulgar sempre ou frequentemente esse uso, enquanto 18% raramente ou nunca o fazem. No plano da titularidade, 90% afirmam ser importante poder obter protecção de direitos de autor para trabalhos criados com apoio de IA criativa.
O essencial
O 2026 Creators’ Toolkit Report da Adobe descreve a IA criativa como uma componente já central na economia dos criadores, com 87% de quem a utiliza a associarem-na ao crescimento do negócio ou da audiência e 75% a considerarem-na integrada ou essencial. Ao mesmo tempo, o estudo reforça que o factor diferenciador continua a ser humano, com 85% a defenderem que a decisão criativa final lhes deve pertencer e 81% a valorizarem o julgamento humano no gosto criativo. As questões de divulgação e de direitos de autor surgem como os próximos temas a resolver à medida que a adopção se generaliza. Os resultados, recorde-se, partem de um inquérito promovido pela própria Adobe.




