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Valor das 100 Maiores Marcas Globais Cresce 8,1% e Atinge 3,9 Biliões de Dólares

Relatório da Interbrand mantém a Apple na liderança e destaca a valorização de 71% da NVIDIA, enquanto a indústria automóvel perde quase 57 mil milhões de dólares em valor de marca

O valor conjunto das 100 marcas mais valiosas do mundo atingiu 3,9 biliões de dólares (3.866 mil milhões) em 2026, um crescimento de 8,1% face ao ano anterior, segundo o relatório Best Global Brands 2026, da consultora Interbrand. O resultado representa o maior aumento anual desde 2021 e praticamente duplica a taxa de crescimento registada em 2025. Das 100 marcas avaliadas, 68 aumentaram de valor, num ano marcado pela valorização das empresas tecnológicas e pelas perdas registadas na indústria automóvel e em algumas marcas internacionais de consumo.

Apple mantém liderança e NVIDIA regista maior valorização

A Apple continua a ser a marca mais valiosa do mundo, com um valor estimado de 514,6 mil milhões de dólares, mais 9% do que em 2025. A Microsoft ocupa a segunda posição, seguida da Google, Amazon e Samsung.

A principal alteração entre as primeiras posições é protagonizada pela NVIDIA, cujo valor de marca aumentou 71%, atingindo 74 mil milhões de dólares. A empresa ocupa agora o sexto lugar, apenas dois anos depois da sua entrada na classificação.

O crescimento acompanha a expansão do mercado de inteligência artificial, particularmente a procura por infra-estruturas e componentes utilizados no desenvolvimento desta tecnologia.

Outras marcas também apresentaram valorizações expressivas, entre as quais Spotify (+38%), Uber (+35%), Caterpillar (+33%), Shopify (+28%) e Google (+23%).

As nove marcas tecnológicas presentes na classificação representam, em conjunto, 48% do valor total das 100 marcas avaliadas, evidenciando a concentração de valor neste sector.

Indústria automóvel perde quase 57 mil milhões de dólares

Em contraste com o desempenho tecnológico, a indústria automóvel registou uma redução acumulada de 56,95 mil milhões de dólares no valor das suas marcas.

Entre os fabricantes que apresentaram perdas encontram-se Volkswagen (-23%), Nissan (-23%), Honda (-22%), Toyota (-20%), Mercedes-Benz (-19%), Audi (-19%), BMW (-18%) e Porsche (-17%).

A Tesla registou uma das maiores desvalorizações individuais, com uma queda de 38%, passando a apresentar um valor de marca estimado em 18,3 mil milhões de dólares.

A Interbrand associa parte das dificuldades do sector às transformações provocadas pela electrificação, ao crescimento dos fabricantes chineses e à redução das diferenças tecnológicas entre os concorrentes.

Segundo a consultora, estas mudanças estão a obrigar os fabricantes tradicionais a reconsiderar os factores utilizados para diferenciar os seus produtos e posicionamentos.

No entanto, a evolução do valor das marcas automóveis também ocorre num contexto de maior concorrência internacional, alterações na procura e ajustamentos nas estratégias comerciais dos fabricantes.

Nike e Gucci entre as marcas com maiores perdas

Fora da indústria automóvel, a Nike e a Gucci destacam-se pelas reduções registadas no valor das respectivas marcas.

A Nike perdeu 35%, passando para 21,7 mil milhões de dólares. A Interbrand relaciona esta evolução com alterações na estratégia comercial da empresa e no posicionamento associado ao desporto, tradicionalmente um dos seus principais elementos de diferenciação.

No segmento do luxo, a Gucci registou uma desvalorização de 31%, ficando avaliada em 8,1 mil milhões de dólares. O relatório aponta as mudanças na direcção criativa e na estratégia da marca como possíveis factores associados ao desempenho.

Em sentido contrário, a Hermès e a Ferrari registaram crescimentos de 11% e 15%, respectivamente.

As diferenças observadas demonstram que empresas do mesmo segmento podem apresentar evoluções distintas, embora os resultados também dependam de factores comerciais, económicos e concorrenciais que ultrapassam a gestão da marca.

Inteligência artificial coloca novos desafios à diferenciação

Para além dos resultados financeiros, o Best Global Brands 2026, apresentado sob o tema Back in Bloom, analisa as mudanças no papel das marcas num contexto de crescente utilização da inteligência artificial.

A Interbrand considera que a automatização de processos e a maior disponibilidade de ferramentas tecnológicas estão a tornar determinadas capacidades empresariais mais acessíveis, aumentando a importância de outros factores de diferenciação.

Neste contexto, o relatório defende que a identidade, os princípios organizacionais e a consistência das decisões empresariais podem assumir maior relevância na construção de valor de marca.

A consultora apresenta esta perspectiva através do conceito Brand as the Constitution, que propõe a utilização dos princípios da marca como referência para orientar decisões sobre produtos, serviços, organização e relacionamento com os consumidores.

O documento aborda ainda a possibilidade de os agentes de inteligência artificial passarem a desempenhar um papel crescente na pesquisa, comparação e selecção de produtos, alterando a forma como as empresas procuram conquistar a preferência dos consumidores.

Trata-se de uma perspectiva estratégica apresentada pela Interbrand, num cenário em que factores tradicionais como preço, qualidade, distribuição e conveniência continuam a influenciar as decisões de compra.

Relatório estabelece relação entre valor de marca e desempenho bolsista

O estudo apresenta também resultados de análises sobre a relação entre o valor económico das marcas e o desempenho financeiro das empresas.

Segundo a Interbrand, um aumento de 1% no valor da marca está associado a uma valorização de 0,8% na cotação das acções no ano seguinte.

A consultora afirma que esta relação é causal, e não apenas uma correlação estatística. Contudo, o relatório não disponibiliza informação metodológica suficientemente detalhada para permitir uma verificação independente dessa conclusão.

O documento apresenta igualmente possíveis benefícios associados à gestão de marca, incluindo melhorias no retorno do investimento publicitário, redução de custos e crescimento das vendas.

Estes resultados correspondem às análises realizadas pela Interbrand e não devem ser interpretados como efeitos garantidos para todas as empresas.

Importa ainda distinguir o valor de marca da capitalização bolsista. A classificação utiliza uma metodologia própria que combina o desempenho financeiro, a influência da marca nas decisões de compra e a sua força competitiva.

Quatro novas marcas entram no ranking

A edição de 2026 inclui quatro novas entradas na classificação das 100 marcas globais mais valiosas.

A seguradora Zurich surge na 58.ª posição, enquanto a Hitachi ocupa o 90.º lugar. A GE HealthCare entra na 95.ª posição e a Hewlett Packard Enterprise na 99.ª.

O relatório apresenta ainda uma lista de dez marcas sob observação, consideradas potenciais candidatas a futuras edições do ranking.

Entre elas encontram-se a Anthropic, empresa responsável pelo sistema de inteligência artificial Claude, e as plataformas financeiras Revolut e Nubank. A lista inclui também Aesop, Arc’teryx, Loewe, On, Oura, Rimowa e SKIMS.

Estas empresas não integram a classificação principal de 2026. A sua identificação reflecte uma avaliação prospectiva da consultora sobre marcas com potencial de crescimento internacional.

Em síntese

  • O Best Global Brands 2026 apresenta um novo máximo no valor acumulado das 100 marcas mais valiosas do mundo, mas revela diferenças significativas entre sectores.
  • A valorização das empresas tecnológicas, com destaque para a NVIDIA, contrasta com as perdas registadas na indústria automóvel e em marcas como Tesla, Nike e Gucci.
  • Para além da evolução do ranking, o relatório coloca em discussão o impacto da inteligência artificial na diferenciação das empresas e na gestão das marcas, embora algumas das relações económicas e interpretações estratégicas apresentadas pela consultora exijam análise complementar.

Fonte: Interbrand, Best Global Brands 2026, Back in Bloom. Os valores apresentados são estimativas calculadas segundo a metodologia da consultora.

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