Mercado Global de Tecnologia de Consumo Estabiliza em 2026
Previsões apontam para estabilização do mercado global em 2026, com crescimento moderado em regiões como a Europa, Médio Oriente e África

A consultora NielsenIQ (NIQ) prevê que as vendas mundiais de tecnologia de consumo e bens duradouros se mantenham estáveis em 2026, após um crescimento de 3% registado em 2025. A Europa de Leste, a Europa Ocidental e a região do Médio Oriente e África emergem como os principais motores de crescimento no próximo ano.
Estabilização após ano de recuperação
De acordo com as perspectivas divulgadas pela NIQ, empresa de estudos de mercado e inteligência de consumo, em colaboração com a Consumer Technology Association (CTA), o mercado global de tecnologia de consumo e bens duradouros deverá fechar 2025 com vendas na ordem dos 1,3 biliões de dólares. Para 2026, o estudo antecipa uma ligeira contracção de 0,4% face ao ano anterior.
O panorama global esconde, contudo, realidades regionais distintas. A Europa de Leste lidera as projecções de crescimento com uma subida estimada de 5%, seguida pela Europa Ocidental e pela região do Médio Oriente e África, ambas com previsões de crescimento de 3%. A América Latina deverá registar um aumento de 2%, enquanto a América do Norte se manterá estável. Em sentido contrário, a região Ásia-Pacífico apresenta uma previsão de queda de 3%, influenciada sobretudo pelo mercado chinês, onde se espera uma contracção de 5%.
“Espera-se uma desaceleração do crescimento em 2026, mas a maioria das regiões deverá manter-se estável ou registar ganhos modestos. A excepção é a China, onde as elevadas bases de comparação das recentes políticas de incentivo ao consumo pesarão sobre o desempenho”, referiu Julian Baldwin, presidente da área de Tecnologia e Bens Duradouros da NIQ.
Pequenos electrodomésticos e informática em destaque
No que respeita às categorias de produto, o estudo aponta os pequenos electrodomésticos como o segmento com maior potencial de crescimento. Os produtos de tecnologias de informação e escritório deverão registar ganhos modestos, enquanto os grandes electrodomésticos se manterão estáveis. As telecomunicações e a electrónica de consumo, por seu turno, enfrentarão ligeiros recuos.
O comportamento dos consumidores continuará marcado pela procura de valor: a relação entre qualidade e preço mantém-se como critério prioritário nas decisões de compra. Os ciclos de substituição de computadores e smartphones, conjugados com a tendência de premiumização em categorias como computadores com inteligência artificial integrada, televisores Mini LED e OLED, e electrodomésticos inteligentes, deverão sustentar a procura.
O Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 surge como factor impulsionador para o segmento de televisores, enquanto os auriculares abertos mantêm a sua trajectória de crescimento.
Implicações para marcas e profissionais
O relatório sublinha que a próxima fase de crescimento dependerá menos da recuperação geral do mercado e mais da capacidade das marcas em adaptar a inovação, os preços e as características dos produtos às expectativas dos consumidores locais.
“Os consumidores continuam a orientar-se pelo valor, mas estão dispostos a gastar quando identificam características atractivas nos produtos”, afirmou Steve Koenig, vice-presidente de Investigação da CTA.
Entre os factores de risco a monitorizar, o estudo destaca as tarifas comerciais dos Estados Unidos, os programas de incentivo ao consumo na China e a crescente concorrência de marcas chinesas em novos mercados. As potenciais perturbações nas cadeias de abastecimento permanecem igualmente no horizonte das preocupações do sector.
Nota: Este artigo tem por base o relatório “Consumer Technology Outlook 2026” da NielsenIQ, divulgado em parceria com a Consumer Technology Association.
Em síntese:
- O mercado global de tecnologia de consumo deverá registar uma ligeira contracção de 0,4% em 2026
- Europa de Leste (+5%), Europa Ocidental (+3%) e Médio Oriente e África (+3%) lideram o crescimento
- Pequenos electrodomésticos e produtos de informática apresentam as melhores perspectivas sectoriais
- A relação qualidade-preço e a inteligência artificial integrada são tendências-chave para as marcas
- O Mundial de 2026 impulsionará as vendas de televisores




