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Seis Em Cada Dez Trabalhadores Nos EUA Têm Chefias Tóxicas

Estudo da Harris Poll revela impacto na saúde mental, carreira e retenção, com maior incidência na Geração Z

Quase 60% dos trabalhadores norte-americanos afirmam ter actualmente uma chefia com comportamentos tóxicos, segundo o Toxic Bosses Survey 2026, da Harris Poll. O fenómeno é mais acentuado na Geração Z, onde atinge 74%, indicando uma maior exposição deste grupo a este tipo de liderança.

Um problema generalizado e com impacto directo

Os dados mostram que os comportamentos mais referidos incluem tratamento preferencial injusto (36%), falta de reconhecimento (35%), transferência de culpa (35%), microgestão (35%) e expectativas desrazoáveis (35%). A consistência destes valores sugere uma presença significativa destes comportamentos em diferentes contextos organizacionais.

As consequências vão além do ambiente de trabalho. Cerca de 47% dos trabalhadores reportam aumento de stress, burnout ou deterioração da saúde mental. Um terço afirma ter perdido bónus (35%) ou visto reduzidas as oportunidades de progressão (33%). Além disso, 27% indicam ter sido despedidos em situações associadas a chefias tóxicas.

O impacto estende-se à vida pessoal: 66% mudaram de emprego por essa razão, outros 66% trabalharam em períodos de descanso por pressão da chefia, e 53% recorreram a terapia para lidar com a situação.

Culturas organizacionais que silenciam o problema

Apesar da dimensão do fenómeno, a maioria dos trabalhadores não reporta estes comportamentos. Cerca de 63% evitam fazê-lo por receio de represálias ou de serem rotulados negativamente. Em paralelo, 61% referem reduzir a sua visibilidade no trabalho como forma de evitar conflitos.

Este padrão aponta para contextos organizacionais onde a exposição destes comportamentos pode ter custos percebidos pelos próprios trabalhadores.

A Geração Z apresenta um comportamento distinto. Entre estes profissionais, 73% afirmam ter tomado medidas para se proteger, incluindo denúncias formais (23%), comunicação a recursos humanos ou chefias superiores (28%) e procura de aconselhamento jurídico (19%).

Pressão financeira mantém trabalhadores em ambientes adversos

O salário surge como o principal factor de permanência, apontado por 75% dos trabalhadores. O trabalho remoto também ganha relevância, sendo referido por 53%, após um aumento face a medições anteriores.

A incerteza económica é igualmente relevante: 65% admitem permanecer em contextos considerados tóxicos por necessidade financeira, enquanto 61% indicam intenção de mudar de emprego quando o mercado melhorar.

A origem do problema é também estrutural

Os gestores identificam várias causas associadas a estes comportamentos, como metas e prazos irrealistas (65%), excesso de carga de trabalho (64%), ausência de responsabilização (63%) e pressão da liderança sénior (63%).

Adicionalmente, 70% dos trabalhadores associam estes comportamentos a lacunas na formação em liderança, nomeadamente na empatia (31%), práticas de microgestão (30%) e clareza de feedback (29%).

Em paralelo, 44% dos trabalhadores consideram que as empresas investem mais em inteligência artificial do que no desenvolvimento de gestores ou na valorização de colaboradores.

Implicações práticas

Os dados sugerem impactos relevantes na retenção de talento, no bem-estar dos trabalhadores e no desempenho organizacional. A rotatividade associada e o desgaste psicológico podem traduzir-se em custos operacionais e reputacionais.

A ausência de mecanismos eficazes de reporte e acompanhamento pode contribuir para a continuidade destes comportamentos.

Em síntese

A presença de comportamentos associados a chefias tóxicas é significativa no mercado de trabalho norte-americano e está associada a impactos profissionais e pessoais relevantes.
Os dados indicam que factores estruturais e organizacionais desempenham um papel importante na sua ocorrência, sendo a formação em liderança uma das áreas mais referidas como potencial via de mitigação.

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