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Marcas Próprias Consolidam Posição Como Motor Estratégico no Retalho Global

Relatório da Circana mostra crescimento sustentado, maior confiança do consumidor e impacto da IA na decisão de compra

As marcas próprias estão a reforçar o seu papel no retalho, deixando de ser vistas apenas como alternativas de baixo custo. A conclusão resulta do relatório Private Labels: Category Transformation or Simply Competition, publicado em 2026 pela Circana, que analisa a evolução destas marcas nos EUA, Europa e Austrália até ao final de 2025.

Crescimento consistente para além do contexto inflacionista

Os dados indicam que o crescimento das marcas próprias não está limitado a períodos de inflação ou recessão. Entre 2021 e 2025, a evolução manteve-se estável, mesmo com o abrandamento da pressão sobre os preços.

Na Europa, a quota de unidades atingiu 49,8% em 2025. Nos EUA situou-se nos 23,9% e na Austrália nos 39,4%. Estes valores sugerem uma alteração gradual nas preferências dos consumidores.

Peso relevante em valor e penetração em vários mercados

Em termos de valor, as marcas próprias representam cerca de 330 mil milhões de dólares nos EUA, 324 mil milhões de euros na Europa e 49 mil milhões de dólares australianos.

Em alguns mercados europeus, como Espanha, Países Baixos e Reino Unido, a quota de valor varia entre 44% e 55%, indicando uma presença já significativa no consumo.

Reforço do papel na inovação

O relatório aponta para uma evolução no posicionamento das marcas próprias, que passam a desempenhar funções associadas tradicionalmente às marcas de fabricante. Esta transformação é visível na forma como os retalhistas analisam categorias, utilizam dados de cliente, segmentam a oferta e desenvolvem novos produtos.

As categorias com maior actividade incluem bebidas, snacks, refeições prontas, padaria e lacticínios. Em paralelo, algumas gamas premium registaram crescimentos acima da média das insígnias, sinalizando uma aposta crescente em propostas de valor mais diferenciadas.

Diferencial de preço mantém-se, mas com ajustamentos

As marcas próprias continuam a apresentar preços inferiores face às marcas de fabricante, embora com uma redução gradual desse diferencial em alguns mercados. Nos EUA, o índice de preço mantém-se em torno de 72 face à marca nacional, enquanto na Austrália se situa nos 62.

A tendência observada aponta para uma aproximação controlada, mantendo-se a diferença de posicionamento sem convergência total.

Evolução da confiança do consumidor

Segundo o estudo, 60% dos consumidores norte-americanos afirmam confiar nas marcas próprias tanto ou mais do que nas marcas de fabricante. Este dado reflecte uma alteração na percepção de qualidade associada a estas marcas.

A geração Z apresenta maior adesão, o que pode indicar uma mudança geracional nas preferências e nos critérios de escolha.

Saúde e bem-estar impulsionam categorias

A área do bem-estar surge como um dos principais motores de crescimento. Em 2025, registou-se uma redução do consumo calórico per capita nos EUA, associada a mudanças nos hábitos de consumo.

Os retalhistas têm vindo a responder com a introdução de produtos orientados para nutrição e estilo de vida, incluindo opções ricas em proteína, alimentos funcionais e soluções adaptadas a novas necessidades.

Impacto da inteligência artificial no processo de compra

O relatório destaca o potencial impacto da inteligência artificial na forma como os consumidores escolhem produtos. Sistemas automatizados tendem a privilegiar critérios como preço, disponibilidade e equivalência funcional.

Neste contexto, os retalhistas podem beneficiar do controlo sobre dados e portefólios próprios, o que poderá influenciar a forma como as decisões de compra são tomadas no futuro.

Implicações para retalhistas e fabricantes

O estudo identifica implicações distintas para os diferentes intervenientes. Do lado dos retalhistas, a tendência passa pelo reforço da qualidade e transparência, pelo desenvolvimento de experiências de compra e pela utilização de dados para personalização.

Já as marcas de fabricante enfrentam o desafio de clarificar o valor da sua proposta, reforçar a diferenciação e investir em inovação, ao mesmo tempo que adaptam a utilização de dados e canais próprios.

Perspectivas para 2026

A Circana prevê uma continuação do crescimento das marcas próprias, ainda que com variações moderadas. Na Europa, a evolução poderá situar-se entre -0,2 e +1,5 pontos percentuais, enquanto nos EUA poderá variar entre -0,2 e +0,5 pontos. Na Austrália, a variação esperada é mais estável, entre 0,0 e +0,2 pontos.

Entre os factores que poderão influenciar esta evolução estão a pressão económica, as mudanças no comportamento do consumidor e o desenvolvimento de novos modelos de comércio.

Em síntese

As marcas próprias estão a ganhar relevância estrutural no retalho, apoiadas por factores como confiança do consumidor, inovação e utilização de dados.

O equilíbrio competitivo entre retalhistas e marcas de fabricante tende a ajustar-se, acompanhando mudanças no comportamento de compra e na tecnologia disponível.

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