ENTREVISTAS

BOOST Inicia Transformação Com Foco em Tecnologia, Comunidades e Capacitação

Entrada de Daniel Silva como Director de Transformação marca uma nova fase na agência, que pretende explorar o potencial da IA, reforçar a proximidade com os clientes e investir no desenvolvimento de competências

A entrada de Daniel Silva para a função de Director de Transformação marca o início de uma nova fase na BOOST. A agência está a avaliar novas abordagens ao mercado, com foco na tecnologia, na construção de comunidades e na capacitação de clientes e equipas, num contexto em que a Inteligência Artificial e a evolução dos hábitos de consumo estão a transformar o sector da comunicação.

Mudança estratégica nasce da necessidade de adaptação

A chegada de Daniel Silva à BOOST acontece num momento em que a indústria global da comunicação enfrenta profundas transformações. Segundo o novo Director de Transformação, coexistem actualmente duas tendências relevantes: a integração crescente entre consultoria de negócio e comunicação, e a proliferação de pequenas e médias agências que procuram conquistar espaço no mercado.

Para Daniel Silva, estas mudanças obrigam as empresas de comunicação a repensar continuamente o seu papel junto dos clientes.

“A transformação tornou-se uma palavra incontornável nas organizações”, afirmou, explicando que a agência está a realizar um diagnóstico aprofundado para compreender as novas necessidades das marcas, identificar oportunidades de crescimento e explorar novas formas de ligação entre empresas e consumidores.

Reforço da estrutura sem ruptura com o passado

Apesar da criação da nova função, a administração da BOOST garante que não está em causa uma alteração radical da estrutura da agência.

Segundo João Graça, CEO da BOOST, o objectivo passa por reforçar capacidades existentes e preparar a organização para responder a novos desafios, preservando as competências e serviços que caracterizam a agência ao longo dos últimos anos.

“Não se trata de uma alteração radical. É uma evolução”, resumiu.

A actual fase é descrita como um período de análise e diagnóstico, tanto da estrutura interna como da relação com os clientes, antes da implementação de novas iniciativas.

Inteligência Artificial entra na estratégia da agência

Uma das áreas identificadas como prioritárias é a utilização da Inteligência Artificial para aumentar a produtividade e apoiar processos criativos.

A agência já começou a integrar competências tecnológicas na equipa e a experimentar novas ferramentas, embora reconheça que os ganhos obtidos até ao momento ainda são limitados.

Na visão dos responsáveis da BOOST, a Inteligência Artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio e não como substituto da criatividade humana.

“Pessoas comunicam com pessoas”, afirmou João Graça, defendendo que a tecnologia pode acelerar processos, mas não substitui a empatia, a emoção ou a capacidade de criar ligações genuínas com os consumidores.

Construção de comunidades ganha relevância

Outra das áreas em análise passa pela criação e desenvolvimento de comunidades em torno das marcas.

Segundo Daniel Silva, muitas empresas têm conseguido crescer através da criação de espaços de encontro entre pessoas que partilham interesses ou objectivos comuns.

O responsável aponta o exemplo do padel em Angola, modalidade que tem vindo a reunir uma comunidade cada vez mais activa e participativa.

A intenção da agência passa por ajudar as marcas a integrarem-se em comunidades já existentes ou a criar novas razões para aproximar pessoas em torno de interesses comuns.

Mercado angolano vive fase de reposicionamento

Na avaliação dos responsáveis da BOOST, o mercado angolano atravessa um período particularmente desafiante.

João Graça considera que o actual contexto económico tem levado muitas empresas a reduzir ou racionalizar os seus investimentos em comunicação, privilegiando canais digitais pela sua capacidade de segmentação e proximidade.

Ainda assim, alerta para a necessidade de equilíbrio entre os meios digitais e os canais tradicionais.

Apesar do crescimento das plataformas digitais, o universo online continua a representar apenas uma parte da população angolana, obrigando as marcas a avaliar cuidadosamente onde investir para atingir os seus públicos.

“Estamos todos a tentar perceber o que significa esta nova realidade”, observou o CEO da agência.

O impacto da IA continua a levantar questões

A Inteligência Artificial foi um dos temas centrais da conversa.

João Graça admite que a evolução destas tecnologias poderá alterar significativamente a forma como os consumidores tomam decisões e acedem à informação, levantando questões sobre o papel futuro das agências e da publicidade.

Por sua vez, Daniel Silva recorda que preocupações semelhantes surgiram noutras fases de transformação tecnológica, incluindo durante a expansão do digital.

Na sua opinião, poderá surgir uma valorização crescente daquilo que é produzido por seres humanos, precisamente como resposta à massificação dos conteúdos gerados por máquinas.

Já João Graça acredita que a própria Inteligência Artificial poderá atravessar ciclos de entusiasmo e saturação, acabando por se consolidar como uma ferramenta integrada no trabalho diário das organizações.

KRIA é integrada na BOOST

A entrada de Daniel Silva na BOOST resulta de uma relação construída ao longo dos últimos dois anos através do projecto Giramondo, responsável por diversas acções de formação dirigidas à equipa da agência.

Dessa colaboração nasceu uma aproximação gradual que culminou agora na integração da KRIA na BOOST.

Segundo Daniel Silva, a KRIA deixa de existir enquanto estrutura independente e os respectivos clientes passam a integrar esta nova fase da agência.

Já a Giramondo continuará a funcionar de forma autónoma, mantendo o foco na formação e desenvolvimento de competências.

Formação continua a ser desafio para a criatividade em Angola

A conversa terminou com uma reflexão sobre a evolução dos profissionais criativos no mercado angolano.

João Graça considera que o país continua a depender fortemente de profissionais autodidactas e aponta a escassez de estruturas de ensino especializadas em criatividade, design, publicidade e comunicação.

Na sua opinião, existe ainda uma tendência para confundir domínio técnico de software com competências de design, estratégia e comunicação.

“A ideia continua a ser o mais importante”, defendeu.

Daniel Silva acrescenta que as próprias agências têm um papel importante na formação contínua dos seus profissionais, através do desenvolvimento do pensamento criativo, da capacidade estratégica e da compreensão profunda da realidade dos clientes.

Em síntese

A entrada de Daniel Silva na BOOST assinala o início de uma reflexão estratégica sobre o futuro da agência e da comunicação em Angola. Tecnologia, Inteligência Artificial, construção de comunidades, capacitação e adaptação permanente às mudanças do mercado surgem como alguns dos temas centrais desta nova fase, num sector que continua a redefinir-se perante as transformações económicas, sociais e tecnológicas.

Marcas em acção é uma publicação especializada em notícias sobre marcas, marketing e comunicação. Redacção: marcas@marcasemaccao.com

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