Entrevistas Mediáticas Ganham Peso Estratégico na Reputação das Marcas
Análise da Harvard Business Review destaca o impacto das declarações de líderes na percepção pública das marcas

Uma análise publicada na Harvard Business Review reposiciona o papel das entrevistas mediáticas no contexto da liderança corporativa, com implicações directas para marcas e profissionais de comunicação.
Num ambiente digital em que uma declaração pode circular globalmente em poucas horas, as entrevistas com os média deixaram de ser momentos de exposição pontual para se tornarem instrumentos críticos de construção, ou erosão, de reputação. É esta a premissa central do artigo How to Nail Your Next Media Interview, publicado na Harvard Business Review, que apresenta um enquadramento estratégico dirigido a líderes empresariais.
O risco cresce com a visibilidade
O principal contributo do artigo é a introdução da Leadership Exposure Curve, um modelo que relaciona visibilidade, tomada de decisão e risco organizacional. O princípio enunciado é directo: à medida que a visibilidade de um líder aumenta, as consequências das suas decisões comunicacionais crescem de forma desproporcionada.
Segundo o texto, as entrevistas tendem a empurrar os executivos para zonas mais elevadas dessa curva, combinando atenção intensa com um nível de controlo relativamente baixo sobre a mensagem. O que é dito num estúdio ou numa chamada com jornalistas pode rapidamente ganhar vida própria nas redes sociais, em titulares e em análises de terceiros.
O artigo organiza as entrevistas em três tipos, cada um com a sua lógica de risco específica: a entrevista de credibilidade, centrada na questão “porque és tu a pessoa certa?”; a de posicionamento, que interroga “para onde vai a organização?”; e a de crise, que coloca no centro a confiança — “podemos acreditar no que dizes?”. Esta segmentação oferece, segundo os autores, uma grelha prática para interpretar e preparar interacções mediáticas.
A narrativa constrói-se na recepção, não na emissão
Um dos pontos centrais da análise é a ideia de que, quando uma declaração se torna pública, a intenção do líder importa menos do que a forma como é recebida. Para profissionais de comunicação, esta formulação reforça um princípio já conhecido: o sentido de uma mensagem não pertence a quem a emite, mas a quem a interpreta.
A implicação prática, tal como o artigo a apresenta, é que a preparação para uma entrevista não pode limitar-se ao controlo da mensagem, mas exige também antecipação da leitura que essa mensagem vai provocar nos diferentes públicos.
O texto não trata a comunicação como um acessório da liderança, mas como uma extensão dela, aproximando-se de uma leitura contemporânea do papel dos CEOs como figuras públicas que influenciam directamente a percepção de marca.
Em síntese
O artigo da Harvard Business Review reposiciona a entrevista mediática como um momento de gestão de risco reputacional, e não apenas de comunicação. A Leadership Exposure Curve proposta ilustra como a visibilidade amplifica as consequências das declarações dos líderes. A segmentação em três tipos de entrevista — credibilidade, posicionamento e crise — oferece uma estrutura prática para preparação estratégica. E a ideia central de que a narrativa se constrói na recepção, não na emissão, é um lembrete útil para qualquer profissional de comunicação: o controlo da mensagem termina no momento em que ela é dita.




