58% dos Consumidores Dizem Escolher Produtos Pela Necessidade e Não Pela Marca
Estudo da NielsenIQ e World Data Lab indica maior aceitação das marcas próprias e decisões de compra mais orientadas pelo preço, qualidade e valor percebido

Mais de metade dos consumidores afirma não atribuir importância ao facto de um produto ser de uma marca nacional ou de uma marca própria do retalhista. Segundo um estudo da NielsenIQ, desenvolvido em colaboração com a World Data Lab, 58% dos consumidores dizem comprar o produto que responde às suas necessidades, num contexto em que factores como preço, qualidade e valor percebido assumem maior peso na decisão de compra.
Marcas próprias ganham espaço nas escolhas dos consumidores
Os dados fazem parte do relatório A Tale of Two Consumers: The Polarized Mindsets Reshaping Global Consumption, que analisa de que forma a evolução do poder de compra e diferentes comportamentos de consumo estão a influenciar o mercado de bens de grande consumo.
Entre 2021 e 2025, os preços dos produtos de grande consumo aumentaram 26% a nível global, segundo a NielsenIQ. Neste contexto, os consumidores passaram a fazer escolhas mais diferenciadas entre categorias, procurando reduzir despesas em algumas e aceitando pagar mais noutras quando consideram que existe valor adicional.
O estudo indica também uma alteração na percepção das marcas próprias dos retalhistas, historicamente associadas sobretudo a alternativas de menor preço.
Segundo os dados apresentados, 68% dos consumidores consideram os produtos de marca própria uma boa alternativa às marcas nacionais e 69% entendem que oferecem uma boa relação qualidade preço.
Entre os consumidores da Geração Z, 67% afirmam considerar os produtos de marca própria tão bons como os das marcas nacionais.
Os resultados sugerem que, para uma parte relevante dos consumidores, a origem da marca pode ter menos peso do que outros critérios de escolha, como preço, qualidade, conveniência e adequação às necessidades.
Ramon Melgarejo, Presidente de E Commerce da NielsenIQ, considera que esta mudança está a alterar a dinâmica competitiva no ponto de venda.
“Os consumidores já não avaliam os produtos principalmente com base em quem os fabrica. Avaliam se o produto oferece a combinação certa de qualidade, valor, conveniência e relevância”, afirmou.
Preço continua a influenciar, mas não explica toda a evolução
Apesar da importância do preço, a NielsenIQ considera que o crescimento das marcas próprias não resulta apenas da procura por opções mais económicas.
O relatório identifica consumidores que alternam entre comportamentos de contenção e decisões de maior despesa consoante a categoria, a ocasião de consumo e o valor atribuído ao produto.
Cerca de um terço dos consumidores sujeitos a maior pressão sobre o orçamento afirma estar disponível para escolher produtos mais baratos ou optar pela marca que se encontre em promoção.
Em paralelo, alguns retalhistas têm vindo a desenvolver marcas próprias com propostas que procuram competir também através de factores como inovação, embalagem, ingredientes e diferenciação do produto.
Segundo a NielsenIQ, esta evolução permite que as marcas próprias estejam presentes não apenas nos segmentos de menor preço, mas também em segmentos intermédios e premium.
Em síntese
58% dos consumidores afirmam não atribuir importância ao facto de um produto ser de uma marca nacional ou de uma marca própria, escolhendo sobretudo em função das suas necessidades.
Os dados da NielsenIQ apontam para uma maior aceitação das marcas próprias e para decisões de compra em que preço, qualidade e valor percebido assumem crescente relevância.




