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Mastercard Cria Centro de Excelência em Cibersegurança Para África

Nova iniciativa pan-africana arranca na África do Sul e na Nigéria e pretende reforçar a cooperação entre governos, instituições financeiras e empresa

A Mastercard anunciou a criação do seu Centro de Excelência em Cibersegurança para África, uma iniciativa de âmbito pan-africano que, segundo a empresa, pretende reforçar a resiliência cibernética, melhorar a colaboração entre organizações e ajudar a proteger a confiança em que assenta a economia digital do continente. O anúncio foi feito durante uma visita à África do Sul e à Nigéria do CEO da empresa, Michael Miebach, e marca o arranque de um modelo que junta os sectores público e privado em torno da partilha de informação, da prevenção e da resposta a ameaças cada vez mais sofisticadas.

O lançamento surge num momento em que a adopção digital acelera por toda a África e em que a cibersegurança ganha peso enquanto condição para o crescimento económico. Segundo dados apresentados pela Mastercard, a economia digital africana deverá atingir 1,5 biliões de dólares até 2030, o que, na leitura da empresa, torna a cooperação entre organizações mais urgente.

De acordo com a mesma fonte, o cibercrime tem aumentado de forma acentuada na região, com prejuízos económicos significativos todos os anos. A empresa estima que apenas cerca de 35% dos incidentes sejam oficialmente reportados, uma subnotificação que atribui a lacunas de maturidade em cibersegurança, à limitada capacidade de detecção e a receios de natureza reputacional. Este cenário, argumenta, cria uma visão fragmentada das ameaças e enfraquece a resposta coordenada.

Ainda segundo a Mastercard, a África do Sul é o mercado mais visado do continente, concentrando cerca de 29% dos ataques de ransomware e 40% dos incidentes de phishing registados em África, enquanto a Nigéria figura entre os países mais afectados por ransomware e por actividade associada à dark web. São estes os dois mercados onde a iniciativa começa.

A criação do Centro dá seguimento a compromissos assumidos em conversações recentes com o Governo nigeriano, em Abuja, e com o Governo sul-africano, durante as reuniões do G20 realizadas no ano passado em Joanesburgo.

Cyril Ramaphosa, Presidente da África do Sul, afirmou que, para a digitalização ser inclusiva, tem de ser fiável e segura, classificando o Centro como um passo positivo para responder a um desafio que nenhum governo ou empresa consegue resolver sozinho.

Bola Ahmed Tinubu, Presidente da Nigéria, sublinhou que sistemas seguros e fiáveis serão determinantes para a inclusão e o crescimento à medida que o país aprofunda a sua transformação digital, dando as boas-vindas a colaborações que reforcem a economia digital.

Michael Miebach, CEO da Mastercard, resumiu a lógica da iniciativa numa ideia simples: as pessoas não utilizam aquilo em que não confiam. Por isso, defendeu, a cibersegurança é um alicerce do crescimento económico, e ligar os esforços dos sectores público e privado permite reforçar a defesa colectiva e construir uma economia digital mais confiante e inclusiva.

A iniciativa é plurianual e liderada pela Mastercard, com um arranque faseado previsto para 2026, a partir da África do Sul e da Nigéria. Funcionará como um centro pan-africano assente em plataformas digitais interligadas, com o objectivo declarado de dar às organizações participantes maior visibilidade sobre ameaças emergentes.

No primeiro ano, está prevista uma análise de risco cibernético do ecossistema que poderá abranger até 50 organizações, a par do acesso a um serviço de informação sobre ameaças focado em África, desenvolvido pela Recorded Future, uma empresa do grupo Mastercard. A colaboração entre directores de segurança da informação (CISO), líderes empresariais e equipas de segurança deverá processar-se através de partilha segura de informação, exercícios conjuntos e resposta coordenada.

A Mastercard afirma que pretende trabalhar ao lado de governos, instituições financeiras e empresas de todas as dimensões, incluindo as PME, e descreve o Centro como uma estrutura concebida para evoluir e alargar as suas valências à medida que o mercado o exija.

Em síntese

A Mastercard criou um Centro de Excelência em Cibersegurança para África, de âmbito pan-africano, que arranca de forma faseada em 2026 pela África do Sul e pela Nigéria, descritos pela empresa como os dois mercados mais visados do continente. O modelo junta sectores público e privado em torno da partilha de informação, prevê uma análise de risco para até 50 organizações no primeiro ano e assenta em três pilares: informação sobre ameaças, colaboração e resiliência. Num continente cuja economia digital deverá valer 1,5 biliões de dólares até 2030, mas onde, segundo a própria companhia, só cerca de 35% dos incidentes são reportados, a iniciativa procura responder a um problema que nenhuma organização enfrenta isolada. Resta acompanhar a execução para aferir o alcance real das medidas anunciadas.

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