BI Profissional | Luís Catuzeco José
Director de Comunicação Corporativa e Imprensa da TAAG Angola Airlines

Para Luís dos Santos Catuzeco José, a comunicação eficaz não depende necessariamente de grandes artifícios, mas da capacidade de transmitir mensagens simples e relevantes. Actualmente Director de Comunicação Corporativa e Imprensa da TAAG Angola Airlines, o profissional conta no seu percurso com uma passagem pela joint venture da General Electric em Angola, onde participou em iniciativas de voluntariado. Entre a exigência da actividade profissional e a necessidade de preservar o equilíbrio pessoal, valoriza a aprendizagem, a dimensão humana do trabalho e a importância de ouvir diferentes perspectivas. Nesta edição do BI Profissional, fala sobre criatividade publicitária, responsabilidade social, gestão de desafios, hábitos digitais e confiança nas relações pessoais.
Qual é a primeira app que abres logo de manhã?
WhatsApp. Hoje em dia, temos grupos para tudo: família, trabalho, amigos… É uma ferramenta que tanto facilita a vida como pode tornar-se intrusiva. Confesso que, logo de manhã, tenho quase um impulso automático de verificar se há alguma mensagem ou chamada perdida que tenha deixado algum assunto pendente do meu lado.
Ultimamente, tenho procurado adoptar algumas estratégias para me desligar um pouco do telefone e, em particular, do WhatsApp. Acho que, nos tempos que correm, todos precisamos de algum detox digital. Estar disponível para toda a gente, a toda a hora, também pode significar estarmos menos disponíveis para nós próprios.
Qual é a percepção que toda a gente tem de ti e que não corresponde à verdade?
Acredito que muitas pessoas pensam que sou sério a toda a hora. A verdade é que tenho um sentido de humor bastante apurado, inteligente e britânico. É um lado meu que nem sempre se revela à primeira vista e que, geralmente, só quem convive comigo durante mais tempo acaba por descobrir.
Portanto, por detrás da postura mais séria e profissional, há alguém que gosta de fazer os outros rir, desde que o público esteja à altura, claro!
Se tivesses de escolher apenas um projecto da tua carreira para mostrar a um desconhecido, qual seria e porquê?
Escolheria o movimento GE Volunteers, de que fiz parte enquanto integrava os quadros da Joint Venture da General Electric em Angola.
Tínhamos iniciativas comunitárias e organizávamos angariações entre colegas para apoiar projectos sociais e pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Guardo esse projecto com muito carinho porque acredito que revela algo importante sobre nós, enquanto pessoas.
Quando somos jovens, temos energia, ambição e vontade de conquistar o mundo. Por isso, acho particularmente significativo quando escolhemos dedicar parte do nosso tempo, dos nossos recursos e dessa energia a ajudar os outros. Há uma gratificação muito própria em perceber que, naquele momento, conseguimos fazer a diferença na vida de alguém.
No fundo, ajudar os outros também nos transforma. Para mim, o GE Volunteers é uma boa fotografia daquilo de que o mundo precisa um pouco mais: menos indiferença e mais humanidade. Porque antes de sermos profissionais, somos pessoas.
Que campanha angolana, de qualquer marca, te fez pensar “isto foi mesmo bem feito” e porquê?
Lembro-me de uma campanha do Banco Millennium Angola, há cerca de 15 anos, numa altura em que o Banco atravessava uma fase de expansão e apostava fortemente na diferenciação. Tinha um posicionamento inovador e uma forma de comunicar leve, intimista e muito próxima das pessoas.
As campanhas fugiam ao registo mais formal que tradicionalmente associamos à comunicação bancária e eram protagonizadas por uma criança com muito carisma e uma capacidade de comunicação extraordinária.
Há um anúncio em particular de que me lembro como uma verdadeira relíquia: aquele em que o miúdo dizia que no Millennium «não há filas». O que me fascinava era a naturalidade com que transmitia a mensagem. Sem grandes artifícios, conseguia comunicar, de forma directa e subtil, uma vantagem concreta da oferta do Banco. E, naquela altura, isso era efectivamente um factor diferenciador.
É um bom exemplo de como a criatividade, quando está ao serviço de uma proposta de valor real, consegue tornar uma mensagem simples memorável.
Não é preciso complicar para comunicar bem; é preciso encontrar a forma certa de chegar às pessoas.
Partilho aqui o vídeo da campanha, que continuo a considerar um excelente exemplo de comunicação publicitária: https://youtu.be/XPun_3X9amE
O que é que fazes quando um projecto corre mesmo mal e precisas de recuperar a cabeça?
A primeira coisa que procuro fazer é actividade física. Pode ser uma caminhada, uma ida ao ginásio ou, quando o tempo permite, um mergulho na piscina. Gosto bastante de nadar, não fosse eu do signo Peixes! (risos)
O exercício ajuda-me a descomprimir, a organizar os pensamentos e a ganhar alguma distância emocional em relação ao problema. Depois, procuro trabalhar a autoconfiança, reforçar a minha componente espiritual e recuperar a clareza mental necessária para voltar ao assunto com outra perspectiva.
Gosto de revisitar os erros, identificar as lições aprendidas e fazer uma espécie de análise SWOT da situação: perceber o que correu mal, o que ainda está ao meu alcance, quais são as oportunidades de recuperação e o que preciso de mudar para seguir em frente.
Também acredito muito na importância de ouvir pessoas experientes, procurar conselhos e aceitar outras perspectivas. Nem sempre temos de encontrar todas as respostas sozinhos.
No final, o objectivo é transformar o problema numa aprendizagem. Nem sempre conseguimos controlar o que acontece, mas podemos trabalhar a forma como reagimos e aquilo que fazemos a seguir.
Quem é a primeira pessoa a quem ligas quando estás com dúvidas ou precisas de alguma ajuda a nível profissional?
Felizmente, tenho uma relação muito próxima com a minha família nuclear e alguns amigos que, na prática, são família. Mas diria que a minha irmã é a pessoa que melhor desempenha esse papel de confidente.
É uma excelente amiga e uma das minhas principais referências quando preciso de uma perspectiva diferente, de um conselho, de orientação ou simplesmente de validar uma decisão que já tomei.
Acredito que as mulheres têm uma sensibilidade e uma capacidade de leitura das situações extraordinárias, muitas vezes acompanhadas por esse lado protector e cuidador que sabe estar presente sem precisar de ter todas as respostas. Por isso, faz-me sentido que seja uma mulher a ocupar esse lugar na minha vida.
É uma espécie de life coach informal, com uma vantagem importante: conhece-me suficientemente bem para perceber quando preciso de um conselho, quando preciso de ouvir uma verdade menos confortável e quando só preciso de espaço e «conversar com o meu silêncio».
No fim de contas, ter alguém em quem confiamos verdadeiramente é um privilégio. E, para mim, a minha irmã é uma dessas pessoas.
Ficha Rápida
Nome: Luís dos Santos Catuzeco José
Cargo: Director de Comunicação Corporativa e Imprensa
Empresa: TAAG Angola Airlines
Experiência: Profissional da área de comunicação corporativa e imprensa, com passagem pela joint venture da General Electric em Angola, onde participou no movimento de voluntariado GE Volunteers.
O BI Profissional é uma rubrica do Marcas em acção dedicada aos profissionais que ajudam a construir as marcas, as narrativas e a comunicação em Angola.
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