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Gaming Representa Oportunidade de Marketing Inexplorada para Marcas

Sector recebe menos de 5% do investimento publicitário global, apesar de contar com 3,4 mil milhões de utilizadores

O universo dos videojogos representa uma das maiores oportunidades não exploradas para as marcas. Com 3,4 mil milhões de jogadores em todo o mundo, um crescimento de 6% face ao ano anterior, o gaming recebe apenas 5% do investimento publicitário global, revelando um desfasamento significativo entre audiência e investimento.

Esta discrepância levanta questões sobre se as marcas estão a subestimar o potencial do gaming como canal de marketing ou se existem barreiras específicas que impedem maior investimento no sector. A realidade aponta para uma mudança de perspectiva necessária: o gaming deve ser visto não como uma táctica isolada, mas como um ecossistema cultural que conecta conteúdo, comércio e comunidade.

Contrariando estereótipos, dados recentes revelam que 88% dos jogadores utilizam os videojogos como forma de relaxamento, enquanto apenas 39% jogam por conquista. A imersão motiva 30% dos utilizadores, a socialização 25% e a emoção 23%. Estes dados sugerem uma evolução do gaming de actividade competitiva para plataforma de bem-estar e conexão social.

Segundo estudos do sector, 70% dos gamers afirmam que os jogos os ajudam a conectar-se, sublinhando o papel crescente do gaming como rede social. Esta tendência é particularmente evidente na Geração Z, que passa em média 2,5 horas por dia no Roblox, onde são criadas 1,62 mil milhões de amizades mensalmente.

O potencial comercial do gaming é demonstrado por dados concretos: 45% da Geração Z e Millennials mostram-se interessados em comprar produtos físicos durante o jogo, enquanto 44% dos espectadores da Twitch já compraram produtos recomendados por streamers.

Esta influência estende-se além do universo digital. O filme do Minecraft arrecadou 301 milhões de dólares, exemplificando como as propriedades intelectuais dos jogos alimentam franquias cross-platform. Após o lançamento do filme, o número de jogadores diários do Minecraft subiu 17% numa semana.

Os especialistas em marketing digital apontam para uma abordagem de funil completo, adaptada às especificidades do gaming:

Consciencialização: Através de vídeos premium, parcerias com influenciadores e takeovers em plataformas como Twitch, Discord e Roblox.

Consideração: Utilizando itens digitais, experiências personalizadas, torneios e desafios integrados nos jogos.

Conversão: Implementando funcionalidades click-to-buy e activações de fidelização contextual.

Algumas campanhas recentes ilustram o potencial do gaming marketing, embora os resultados devam ser analisados com cautela. A parceria entre Happy Lemon e Genshin Impact gerou 55 milhões de impressões através de conteúdo gerado pelos utilizadores, resultando num aumento de 232% na base de fãs e 120% no crescimento das vendas.

Outro exemplo é a campanha “Love Your Mind” no Roblox, desenvolvida pelo Ad Council, que atraiu mais de 650 mil visitas no primeiro mês e gerou 500 horas de meditação mindful, com 89% dos participantes a considerarem a iniciativa uma boa forma de promover bem-estar mental.

No entanto, estes sucessos contrastam com a realidade de muitas marcas que ainda enfrentam dificuldades na medição eficaz do retorno do investimento em gaming, especialmente quando se trata de métricas de brand awareness e engagement de longo prazo.

Uma tendência emergente no marketing gaming é a segmentação baseada em motivações em vez de dados demográficos tradicionais. Esta abordagem, embora ainda em desenvolvimento, sugere possibilidades para campanhas mais direccionadas:

  • Relaxamento: Engagement casual, jogos móveis, publicidade ambient
  • Conquista: Progressão, torneios, leaderboards
  • Imersão: Narrativas profundas, integrações cinemáticas
  • Social: Campanhas UGC, experiências multiplayer
  • Adrenalina: Eventos competitivos, recompensas temporárias

O gaming apresenta variações significativas entre regiões. A zona APAC representa 53% dos jogadores globais e caracteriza-se por jogar com propósito específico. Na América do Norte, 38% jogam para escapar da realidade, enquanto o MENA registou um crescimento de 149% em streams em árabe.

O relatório identifica quatro tendências principais para o próximo ano: o crescimento dos fandoms transmedia, o lançamento da Nintendo Switch 2, a expansão do cloud gaming e o muito aguardado lançamento do GTA VI, descrito como o “maior fenómeno cultural da década”.

A indústria publicitária aponta para a necessidade de as marcas abandonarem campanhas pontuais e adoptarem estratégias de integração no ecossistema gaming. A metodologia defendida passa por compreender onde e por que o público joga, mapear motivações para oportunidades de funil e construir activações mensuráveis.

Contudo, especialistas alertam para os desafios inerentes a esta abordagem, incluindo a complexidade de medir ROI em ambientes virtuais, a necessidade de equipas especializadas e os custos de desenvolvimento de conteúdo gaming autêntico.

O gaming representa uma mudança cultural que transcende o entretenimento, influenciando mídia, consumo e sociabilidade. Para as marcas dispostas a investir tempo e recursos na compreensão deste ecossistema, as oportunidades são promissoras, mas exigem uma abordagem estratégica e de longo prazo.

Os dados apresentados neste artigo baseiam-se no relatório “2025 Gaming Trends” da Dentsu, complementados com informação de fontes do sector.

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