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TAAG Transportou 1,26 milhões de Passageiros em 2025

Companhia aérea nacional fechou 2025 com receitas de 437 milhões de dólares e investimentos próximos dos 411 milhões de dólares, mas registou um prejuízo de 144,6 milhões de dólares

A TAAG Linhas Aéreas de Angola apresentou na passada sexta-feira, em Luanda, o relatório de gestão referente ao exercício de 2025, fechando o ano com um resultado líquido negativo de 144,6 milhões de dólares, receitas globais de 437 milhões de dólares e investimentos avaliados em cerca de 411 milhões de dólares. A Administração atribui os números ao actual ciclo de modernização da companhia.

Durante a conferência de imprensa, a transportadora classificou 2025 como um ano de estabilização operacional e reorganização interna, num contexto que descreveu como particularmente exigente para a aviação civil mundial, marcado pela pressão sobre os custos, pela volatilidade dos preços do combustível, pelas limitações no fornecimento de aeronaves e por exigências regulatórias mais apertadas.

Os indicadores apresentados pela companhia mostram uma operação em expansão: 1,26 milhões de passageiros transportados, 26 destinos domésticos, regionais e intercontinentais, e uma frota de 32 aeronaves, com a introdução progressiva dos Boeing 787-9 Dreamliner e Airbus A220-300.

Em Março de 2026, o Estado angolano aprovou cerca de 170 mil milhões de kwanzas em Obrigações do Tesouro destinadas à capitalização da TAAG. De acordo com a Administração, o valor é relevante, mas insuficiente para concluir o processo em curso.

Para o Presidente do Conselho de Administração da TAAG, Clóvis Rosa, os números de 2025 devem ser lidos numa perspectiva plurianual. “O processo de transformação da TAAG não é um exercício de curto prazo. Estamos a falar de uma companhia estratégica para Angola, inserida num dos sectores mais exigentes do mundo do ponto de vista técnico, operacional e financeiro”, afirmou.

A Administração defende que o exercício de 2025 reflecte sobretudo o peso financeiro de reformas estruturantes, com investimentos em manutenção, engenharia, formação técnica, digitalização, segurança operacional e conectividade internacional. A companhia destaca ainda o esforço de recuperação dos sistemas tecnológicos afectados pelo ciberataque registado anteriormente, que classificou como um dos episódios operacionais mais sensíveis dos últimos anos.

No plano da rede, a transportadora lançou em 2025 a rota Luanda–Nairobi e indicou ter em preparação novas operações para Londres, Guangzhou e Accra. A companhia descreve também o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto como plataforma de conectividade regional e intercontinental.

A componente de capacitação técnica ocupa um espaço relevante no relatório. Em 2025, a TAAG realizou 275 novas contratações em áreas técnicas, incluindo 18 pilotos e 80 tripulantes de cabine, e integrou em programas de formação Ab Initio 130 novos pilotos cadetes e 60 novos técnicos de manutenção aeronáutica.

A companhia recordou que a formação de profissionais da aviação civil exige elevados níveis de certificação, treino operacional contínuo e alinhamento com padrões internacionais. Neste capítulo, foi destacado o programa PALANCA, desenvolvido em parceria com a Lufthansa Consulting, dedicado às áreas de segurança operacional, manutenção e engenharia, operações de voo, eficiência organizacional e sustentabilidade financeira.

A Administração anunciou ainda o reforço da cooperação operacional com entidades internacionais especializadas, com o objectivo, segundo a companhia, de optimizar a utilização da nova frota Boeing e acelerar ganhos de eficiência em operações internacionais de maior exigência técnica.

Em síntese

A TAAG fechou 2025 com receitas de 437 milhões de dólares, 1,26 milhões de passageiros transportados e investimentos próximos dos 411 milhões de dólares, mas registou um prejuízo de 144,6 milhões de dólares. O relatório de auditoria aponta capital próprio negativo e incertezas sobre a continuidade operacional. A companhia depende de novos reforços financeiros, para além dos 170 mil milhões de kwanzas em Obrigações do Tesouro aprovados pelo Estado em Março de 2026. A Administração enquadra os números no esforço de modernização, que inclui a entrada dos Boeing 787-9 e Airbus A220-300, novas rotas internacionais, o programa PALANCA com a Lufthansa Consulting e a recuperação dos sistemas afectados pelo ciberataque. A credibilidade da narrativa de transformação passa, a partir de agora, pela consistência operacional e pela capacidade de execução nos próximos exercícios.

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