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Estudo da IBM Aponta Desfasamento Entre Adopção da IA e Preparação das Empresas

A análise do IBM Institute for Business Value indica que a adopção da inteligência artificial está a avançar mais depressa do que a capacidade das organizações para adaptar pessoas, processos e modelos de gestão

Um estudo do IBM Institute for Business Value, comentado por Aparna Nair, Chief Talent, Leadership and Culture Officer da IBM, conclui que a inteligência artificial está a transformar funções e fluxos de trabalho a um ritmo que a maioria das organizações ainda não conseguiu acompanhar. Segundo a autora, o entrave ao valor gerado pela IA não estaria na própria tecnologia, mas na forma como pessoas, processos e cultura organizacional se ajustam a ela.

De acordo com os dados citados por Nair, cerca de dois terços dos executivos inquiridos afirmam que a IA já está a redesenhar funções e processos internos. Ainda assim, o estudo indica que muitas organizações não actualizaram as práticas de gestão nem os sistemas de avaliação de desempenho necessários para tornar essa mudança eficaz.

O resultado, segundo a análise, é uma discrepância entre a forma como os líderes descrevem os progressos da IA e a forma como os colaboradores os vivenciam. Os executivos relatam mudanças de funções provocadas pela IA a um ritmo duas vezes superior ao que os próprios colaboradores sentem no seu dia a dia. Embora 81% dos executivos considerem que os colaboradores são recompensados por desenvolverem competências em IA, 43% dos colaboradores dizem que a sua empresa não oferece qualquer formação nessa área.

Essa diferença de percepção, argumenta a autora, alimenta um fosso de confiança que pode comprometer os avanços que as organizações procuram alcançar.

O estudo aponta ainda para questões de segurança psicológica dentro das equipas. Quarenta e três por cento dos executivos reconhecem que os colaboradores não se sentem confortáveis para levantar dúvidas sobre resultados gerados por IA, e mais de metade dos colaboradores admite que raramente questiona a tecnologia quando deveria fazê lo. Para Nair, quando as pessoas se sentem mais seguras a concordar do que a questionar, o problema não estaria na ferramenta, mas na forma como a organização incentiva, ou desincentiva, o seu uso crítico.

Os gestores intermédios encontram se, segundo o estudo, no centro desta transição. Espera se cada vez mais que orientem o julgamento das suas equipas, supervisionem a colaboração entre pessoas e sistemas de IA, e avaliem desempenho de formas que praticamente não existiam há poucos anos.

Os dados do estudo mostram que noventa e três por cento dos executivos consideram que o trabalho activado por IA tornou a avaliação de desempenho consideravelmente mais difícil. Apenas cerca de um quarto dos colaboradores diz que os seus gestores se concentram principalmente em coaching e julgamento estratégico, uma expectativa que, segundo as projecções citadas no estudo, deverá quase duplicar até 2028.

Para a autora, este é um momento decisivo para quem lidera pessoas: o papel do gestor estaria a evoluir de simplesmente dirigir tarefas para desenvolver capacidade de decisão nas equipas, o que exige investimento em novas competências e em ferramentas adequadas a um ambiente de trabalho moldado pela IA.

O estudo identifica ainda um grupo restrito de organizações que, segundo os autores, combinaram maturidade avançada em IA com forte capacidade de mudança organizacional. O que as distinguiria é a clareza introduzida no próprio trabalho: quem é responsável por quê, normas objectivas sobre quando confiar ou questionar a IA, e sistemas de desempenho ajustados à nova realidade. Segundo os dados apresentados no estudo, estas organizações registam um crescimento de receita até 73% superior e uma vantagem de 11% na margem operacional, face aos seus pares, embora o estudo não detalhe a metodologia usada para chegar a estes números.

A IBM recomenda três acções às lideranças: tratar mudanças relevantes nos fluxos de trabalho como desafios de adopção humana, e não apenas como implementações tecnológicas; actualizar os sistemas de avaliação para recompensar aprendizagem e bom senso, e não apenas rapidez de execução; e criar oportunidades para que os colaboradores pratiquem a tomada de decisão através de simulações e ambientes controlados.

Em síntese

O estudo do IBM Institute for Business Value, comentado por uma das suas próprias responsáveis, conclui que as organizações capazes de liderar esta nova era não serão necessariamente as que têm a melhor tecnologia de IA, mas as que investem, com igual intensidade, nos sistemas humanos que a rodeiam.

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